Eu entendo sua dor


Eu entendo sua dor. Não é fácil passar por um momento onde você se sente abandonado e as perspectivas de melhora não passam de ilusão. Abandono e tristeza são sentimentos constantes e parece que as coisas não vão dar certo.
Eu me lembro quando meu coração se quebrou em pequenos pedaços. Eu sabia que a culpa era só minha, e isso só piorava as coisas. Eu estava sozinho, no meio da rua, chorando e a noite vinha apenas para atropelar qualquer sentimento que tentasse me colocar de pé.
Então eu desisti. Foi uma decisão, estava tomada e não havia motivos para ser diferente. Desistir, na minha maneira lógica de analisar as coisas era o mais sábio a se fazer. Faria com que aquela dor não acontecesse mais, pelo menos não tão aguda e profunda, apesar de eu saber que ela sempre estaria ali.
Obviamente foi algo temporário, desistir é tão difícil quanto tentar de novo. Acabei tentando me levantar para tentar de novo mas era apenas ilusão. E o grande problema com a ilusão é que ela te entorpece e você acaba se acostumando, era a fuga perfeita: eu fingia não ter desistido e tentava enganar meu próprio coração quebrado.
Mas não adiantava, ele continuava quebrado. Logo a ilusão acabou e eu saí daquele torpor. Saí apenas para poder perceber que na verdade eu continuava na rua, chorando e determinado a desistir.
Desta vez a desistência durou, se firmou, e meu coração, de tantas feridas, acabou aprendendo a desviar da dor, sem nunca enfrentá-la.
Após anos de solidão e uma dor enjaulada, Deus passeava por aí e me viu. Sentou-se ao meu lado e me disse isso: “eu entendo a sua dor”. Estendeu-me a mão, mostrou-me um novo caminho e ensinou-me lições de valor inestimável.
A primeira delas foi que os planos dEle eram melhores que os meus. Eu aceitei e resolvi viver de acordo com o que Ele planejava, e não de acordo com minhas decisões. Ele me ajudou a não mais desistir de tudo o que eu havia deixado para trás e me mostrou o que Ele tinha para mim.
A segunda, tão importante quanto a primeira, Ele ensinou-me de uma maneira diferente. Aos poucos Ele foi me mostrando que a vida é dura, que ela iria me bater de maneira muito intensa e eu teria que ser forte para resistir. Mostrou-me que não importaria o quanto eu batesse nela, ela iria bater mais forte, era necessário aprender a apanhar e nunca mais desistir, levantar-me a cada queda, a cada soco.
Foi o que eu fiz. Tive que aprender. Era aprender a me levantar ou ficar no chão, tinha que me levantar mesmo sabendo que apanharia novamente. Estas lições me fizeram mais forte, mais resistente. No final das contas nada tornou o processo de me levantar mais fácil, mas eu não vou ficar caído.
Dizem por aí que o cair é do homem, mas o levantar é de Deus. Eu concordo. Mas mesmo assim eu posso decidir ficar caído. Não me levanto pela minha força ou minha capacidade, mas pela misericórdia dEle. A mesma que me ensinou tudo o que eu precisava para entender que tinha que decidir me levantar.
Eu entendo sua dor, e não posso amenizá-la. Mas preciso lhe dizer que basta uma decisão para que Deus lhe ajude, basta você decidir se levantar.
A vida vai continuar te batendo, seu orgulho, seus medos, seu egoísmo e todas estas características humanas vão continuar tentando te derrubar todos os dias. É bem provável que a inveja não dê trégua e que a sua ambição ainda te assombre. Estes são nossos maiores inimigos, todos ainda tentam viver dentro de mim. Mas hoje, quando eles se levantam para me bater, eu firmo meus pés no chão e não deixo que eles me abalem. Os medos ainda tentam e o comodismo me cerca. As vaidades sempre tentam me puxar. Eu continuo de pé.
O que eu posso lhe dizer é: continue, se levante mais uma vez. Firme seus pés na Rocha, agüente mais um soco, mais um chute, e permaneça. Saiba que Deus é quem faz isso por você e não sua própria força.
Paz.
Obviamente escrito ao som de Kirk Franklin. Imagem conseguida no Modestia Aparte.

fonte:  http://www.jcnaveia.com.br

Comentários