Limpeza do óleo no Golfo do México vai levar anos, estima Guarda Costeira



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Grandes faixas de petróleo seguem infiltradas no mar, o que significa grande ameaça para o ecossitema marinho/Foto: NASA Goddard Photo and Video
A Guarda Costeira norte-americana afirmou na segunda-feira, 7 de junho, que o trabalho de mitigação dos efeitos do vazamento de óleo no Golfo do México deverá levar anos. Segundo o governo dos Estados Unidos, como a mancha de petróleo está se desintegrando em muitos pedaços, o óleo ganha a capacidade de se espalhar por uma área maior. As informações são do jornal The New York Times.
Mesmo que o vazamento de petróleo seja contido em poucas semanas, os trabalhos de retenção da mancha de óleo à deriva no Golfo do México podem durar até o início de dezembro. "O maior desafio agora é lidar com a abrangência e a complexidade da desagregação do óleo", afirmou ao Times o chefe da Guarda Costeira, Thad Allen.
A estimativa pessimista foi anunciada mesmo em um estágio em que a British Petroleum (BP) já consegue estancar parte do vazamento, ao canalizar o óleo para navios-tanques por meio de um sifão instalado na saída do poço.
Como a empresa não dá conta de manejar todo o óleo captado, ela foi obrigada a deixar brechas no aparato de captação e deixar mais óleo sair. Só para se ter ideia, cerca de 11 mil barris de petróleo estavam sendo capturados na segunda-feira (7), enquanto algo entre 12 mil e 25 mil barris seguiam vazando.
Segundo Allen, a única solução definitiva para deter o vazamento são os chamados "furos de alívio" - poços secundários que estão sendo escavados para interceptar e selar o poço vazante. A BP informou que substituirá a estrutura até então usada para capturar o óleo na saída do poço. No início de julho, a empresa deve tentar instalar um aparato mais ajustado para vedar o escapamento do óleo.
Impactos
Cientistas alertaram nesta terça-feira (8) que grandes faixas de petróleo não se integram à maré negra que cobre a superfície de parte do Golfo do México e se mantêm circulando no fundo do mar, uma situação que pode ser devastadora para o ecossistema submarino da região.
"Amostras de água retiradas da região e analisadas por especialistas mostraram extensas faixas de petróleo em profundidades entre 50 e 1.400 metros", destacou à AFP o oceanógrafo Yonggang Liu, da Universidade do Sul da Flórida (USF, na sigla em inglês).
Liu integra uma equipe de especialistas de várias entidades especializadas que acompanham a circulação do vazamento na superfície e debaixo d'água. "Esse petróleo em águas profundas é invisível para os satélites", acrescentou.
O fato de se manter oculto não faz com que tais faixas de petróleo sejam menos nocivas, uma vez que torna-se quase impossível limpá-las e combater seus efeitos, afirmaram especialistas. "É uma questão de lógica ver que o ecossistema em águas profundas do Golfo vai ser afetado (...). O impacto pode ser muito grande em toda a cadeia alimentar, em espécies de peixes sensíveis e em pequenas criaturas do oceano", acrescentaram.


Fonte: Eco Desenvolvimento 

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