A Celebração da Primeira Páscoa - LIÇÃO 4 - CPAD (1-TRI-2014)

A Celebração da Primeira Páscoa - Márcio Klauber Maia

Introdução
Após haver castigado o Egito com nove pragas, destruindo o país e castigando Faraó e seu povo, Deus prepara um ato final, para consumar o juízo e libertar o povo de Israel do cativeiro. Esta última praga atingiria todos os primogênitos do Egito, “desde os homens até aos animais” (Ex 12.12), causando a morte em todos os lares.
O povo de Israel, entretanto, deveria ser poupado da morte. Assim sendo, Deus deu ordens a Moisés para que, no décimo dia do mês de Nisã, o qual seria, a partir de então, o primeiro mês do novo calendário, que o Senhor estava determinando para os hebreus, cada família deveria separar para si um cordeiro ou cabrito macho, de um ano, sem máculas ou defeitos, o qual deveria ser sacrificado, em um ritual coletivo, ao cair da tarde do dia quatorze, do mesmo mês.
Uma vez sacrificado o cordeiro, seu sangue deveria ser recolhido e aspergido nos umbrais e na verga da porta de cada hebreu, e a carne deveria ser assada (nenhuma parte poderia ser cozida) e comida, à noite, com pães asmos, isto é, sem fermento, e ervas amargosas. Cada pessoa presente à mesa deveria estar devidamente trajada, como cajado na mão, pronta para partir.
Naquela mesma noite, o Senhor traria a morte sobre os primogênitos do Egito e apenas as casas dos hebreus, nas quais houvesse o sangue aspergido, seriam poupadas (Ex 12.13).
A Pesach e a Fésta da Páscoa
A palavra hebraica Pesach, significa “passar por sobre” ou “passar de largo”. Era uma referência ao que ocorreria na noite marcada por Deus, quando Ele passaria pela terra do Egito e, na casa que encontrasse o sangue aspergido, Ele “passaria por cima” (Êx 12.13,14). Este foi um evento único, marcado pela morte dos primogênitos.
A festa da Páscoa deveria ser comemorada a cada ano, na mesma data, 14 de nisã, relembrado a saída do povo de Israel do Egito. Era uma das três festas de peregrinação para Jerusalém. Ao longo do tempo novos elementos foram sendo acrescentados à festa, como, por exemplo, o vinho (Lc 22.17,18).
Ao celebrar a última páscoa Jesus instituiu uma nova ordenança: a Santa Ceia, que utiliza dois elementos da páscoa: o pão e o vinho, mas adquire novo significado, apontando para a morte e ressurreição de Cristo e relembrando a sua vinda (Mt 26.26,27).
A páscoa pagã, utiliza elementos do misticismo, como o coelho, que, na Lei de Moisés era animal considerado imundo (Lv 11.5), na tentativa de um sincretismo religioso.
Cristo e o Cordeiro
A relação tipológica do cordeiro pascoal com Cristo é uma das mais belas e completas, dentre os tipos bíblicos. A relação do Senhor Jesus Cristo com o cordeiro é apresentada no Novo Testamento, em muitas passagens.
  • João Batista afirma que ele é “o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo” (Jo 1.29)
  • O livro do Apocalipse o apresenta como tal, muitas vezes (Ap 5.6,8,12,13; 6.1,16; 7.9,10,14; 12.11; 13.8; 14.1, entre outras)
  • O apóstolo João faz referência ao cordeiro, quando aplica a Cristo a profecia que dizia: “Nenhum dos seus ossos será quebrado” (Jo 19.36); o apóstolo Pedro faz referência ao “o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado” (1Pe 1.19).
  • É o apóstolo Paulo, porém, que apresenta a declaração tipológica mais explícita, quando afirma: “Porque Cristo, nossa páscoa, foi sacrificado por nós” (1Cor 5.7), numa alusão direta à correspondência entre tipo e antítipo.
Muitas são as semelhanças apresentadas pelo cordeiro da Páscoa, com relação a Cristo:
  1. O cordeiro deveria ser macho, de um ano (Ex 12.5), uma referência à idade adulta de Cristo em seu ministério terreno;
  2. Não poderia possuir defeitos ou manchas (Ex 12.5), indicando a condição de Jesus sem pecados (Hb 4.15);
  3. O cordeiro deveria ser guardado desde o décimo dia (Ex 12.3,6), uma referência ao que Pedro afirmou sobre Cristo: “conhecido, ainda antes da fundação do mundo, mas manifestado nestes últimos tempos” (1Pe 1.20);
  4. O cordeiro deveria ser sacrificado ao décimo quarto dia, ao cair da tarde (Ex 12.6), uma referência ao momento da morte de Cristo, no Calvário (Jo 19.14);
  5. O sacrifício deveria ser feito por toda a congregação (Ex 12.6), demonstrando o caráter universal do sacrifício de Cristo;
  6. O sangue do cordeiro deveria ser aspergido, nas portas e isto seria o sinal para a libertação (Ex 12.7), uma referência à redenção através do sangue de Cristo (Ap 5.9,10);
  7. A carne do cordeiro deveria ser assada no fogo (Ex 12.8,9), o que indica o juízo divino executado na pessoa de Cristo (2Cor 5.21);
  8. Nenhum osso do cordeiro deveria ser quebrado (Ex 12.46), o que foi uma profecia concernente a Cristo (Jo 19.36);
  9. O cordeiro deveria ser sacrificado em lugar do primogênito, isto é, um sacrifício substitutivo, uma alusão ao sacrifício vicário de Cristo (Is 53.4-6).
Os elementos da Páscoa
Na comemoração judaica, as ervas amargas representam o sofrimento que o povo de Israel sofreu na escravidão do Egito. Eram ervas amargas (muito provavelmente alface selvagem ou raiz forte), molhadas em vinagre de frutas ou água com sal. Para nós representa o sofrimento de Cristo (Is 53.4).
Os pães deveriam ser asmos, isto é, sem fermento. O apóstolo Paulo explica que o fermento, no Novo Testamento, simboliza “maldade e da malícia”. O pão sem fermento fala da santificação e pureza (1Cor 5.7,8).
Cada hebreu deveria estar vestido para sair, pois lombos cingidos e sandálias nos pés” indicam coisas que não se utilizavam dentro de casa. Eles estavam prontos para viajar. Na comemoração da Santa Ceia Jesus nos fala que relembramos a vinda de Cristo (1Co 11.26).
Uma coisa, porém, é importante observar: a salvação da morte naquela noite não era uma questão de mérito pessoal, ou de posição social, mas de obediência. Os que foram salvos, não o foram por serem desta ou daquela tribo ou família, nem por serem bons e merecedores. Apenas a obediência ao mandamento divino de sacrificar o cordeiro e cumprir o ritual garantia a salvação e libertação. Esta mesma verdade aplica-se à redenção por intermédio de Cristo, que não é por mérito próprio, mas através da obediência, pela fé.
A superioridade de Cristo
Como o antítipo é maior do que o tipo há algumas deficiências do tipo que o faz insuficiente:
  • O cordeiro foi morto, assado e comido. Cristo, entretanto, morreu, mas ressuscitou e ascendeu aos céus.
  • O cordeiro foi sacrificado em lugar do primogênito de cada casa, provendo, assim, a salvação da morte apenas para a casa na qual o seu sangue foi aspergido e somente naquele momento. A cada ano outro cordeiro deveria ser sacrificado. O sacrifício de Cristo, entretanto, foi definitivo, provendo salvação para sempre. O escritor aos Hebreus afirma que ele efetuou uma “eterna redenção” (Hb 9.12).
  • O cordeiro não se ofereceu para este sacrifício, nem entendia a razão porque estava sendo sacrificado. O sacrifício de Jesus Cristo, porém, foi voluntário, pois ele mesmo afirmou: “dou a minha vida para tornar a tomá-la. Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou” (Jo 10.17,18).
Obras Consultadas:
SITTEMA, John. Encontrei Jesus numa Festa de Israel. São Paulo, Editora Cultura Cristã. 2010.
MCMURTRY, Grady Shannon. As Festas Judaicas do Antigo Testamento. Curitiba/PR, Editora AD Santos. 2012.
WINKLER, Fredi. As Festas Judaicas. Poreto Alegre/RS, Actual Edições. 2003.
GUIMARÃES, Marcelo Miranda. A Pessoa do Messias nas Festas Bíblicas. Belo Horizontes/MG, Ministério Ensinando de Sião Publicações. 1999.
GILBERT, Floyd Lee. A Lei e a Graça. São Paulo/SP, Editora Candeia. 1995.
Márcio Klauber Maia é ministro do evangelho, diretor e professor do CETAD - Centro de Educação Teológica da Assembleia de Deus em Natal-RN, autor do livro O Caminho do Adorador (CPAD) e webmaster do site EBDweb. É casado e pais de quatro filhas.

FONTE : ebd web