A dispensa Vazia - lição 06


A DESPENSA VAZIA

" Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão " ( Sl 37.25 
Tudo que tenho em casa é uma vasilha de azeite 

Muitas vezes vemos crentes em conflitos espirituais por tentarem fazer comparação entre si e co-irmãos. Não podemos dimensionar ou classificar vitórias por nenhum método ou fórmula conhecida. As nossas bênçãos recebidas de Deus têm valor próprio e somente o contemplado pode fazer a sua avaliação. No livro dos reis de Israel encontramos uma história muito bonita de uma viúva que foi abençoada. Ela não ganhou nenhum carro do ano nem uma grande soma de dinheiro, mas o suficiente para suprir as suas necessidades emergentes, o azeite. O episódio apresenta mais um milagre envolvendo o ministério de Eliseu e ao meditar nas entrelinhas, pude tirar algumas lições para a minha vida das quais gostaria de partilhar com o leitor.

1.    A esposa de um dos irmãos profetas suplicou a Eliseu: «Meu marido, seu servo, morreu. E você sabe que seu servo temia a Javé. Mas um homem, a quem devíamos, veio para levar meus dois filhos como escravos».

2.    Eliseu perguntou: «Que posso fazer por você? Diga-me o que você tem em casa». A mulher respondeu: «Tudo o que tenho em casa é uma vasilha de azeite».

3.    Então Eliseu ordenou: «Vá e tome emprestado dos vizinhos uma grande quantidade de vasilhas.

4.    Depois entre em casa, feche a porta com seus filhos dentro, e encha todas as vasilhas com azeite. Conforme você as for enchendo, vá colocando à parte».

5.    A mulher foi e se fechou em casa com os filhos. Estes iam levando as vasilhas e a mulher ia derramando o azeite dentro.

6.    Quando as vasilhas ficaram cheias, ela pediu ao filho: «Traga mais uma». E ele respondeu: «Acabou». Então o azeite parou de correr.

7.    A mulher foi contar isso ao homem de Deus, e ele disse: «Agora vá, venda o azeite, pague a dívida e use o que sobrar para viver com seus filhos». 2 Rs 4.1-7.


1 - A esposa de um dos irmãos profetas suplicou a Eliseu: «Meu marido, seu servo, morreu. E você sabe que seu servo temia a Javé. Mas um homem, a quem devíamos, veio para levar meus dois filhos como escravos”.

A mulher de um servo de Deus ficou viúva e herdou as dívidas do marido. Ao ver o profeta Eliseu salientando que aquele era fiel ao SENHOR e mesmo assim os credores cobravam pelo passivo o trabalho escravo de seus filhos. A Bíblia diz que “o SENHOR guarda os estrangeiros; ampara o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios” (Sl 146.9) e esta promessa não foi iniciada por ocasião da composição deste salmo. “Porque o SENHOR é bom, e eterna, a sua misericórdia; e a sua verdade estende-se de geração a geração” (Sl 100.5). Também nos afira as Escrituras que Deus cuida da descendência dos justos “Fui moço e agora sou velho; mas nunca vi desamparado o justo, nem a sua descendência a mendigar o pão” Sl 37.25).

2 - Eliseu perguntou: «Que posso fazer por você? Diga-me o que você tem em casa». A mulher respondeu: «Tudo o que tenho em casa é uma vasilha de azeite».

A pergunta de Eliseu lembra o episódio narrado em Atos dos Apóstolos quando Pedro pergunta ao coxo que pedia esmola: “ Olha para nós (...) Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso te dou: Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, levanta-te e anda” At 3.4-6.

Eliseu não possuía bens ou recursos materiais para pagar as contas da viúva, mas servia ao dono do ouro e da prata “Minha é a prata, e meu é o ouro, disse o SENHOR dos Exércitos” Ag 2.8. Inspirado por Deus o profeta fez a célebre pergunta querendo saber o que ela tinha em casa. A viúva respondeu: “só tenho um restinho de azeite”. Não representava quase nada face às necessidades e a pressão do credor, mas por outro lado era um ponto de partida para um milagre.

Às vezes nos deparamos em situações sementes onde o nosso Gol 94 represente o mesmo que uma Ferrari; a nosso barraco é igual a uma cobertura em São Conrado; sim, tudo é nada sem uma intervenção de Deus em nosso favor; nessa hora respondemos da mesma forma que a viúva: não temos nada, só um pouquinho de azeite; que para Deus, é o tudo que precisamos para Ele operar em nosso favor.
O azeite que havia na casa da viúva era precioso, mas não em quantidade suficiente para pagar todas as dívidas. Era um composto de cinco ingredientes: 5 quilos de mirra virgem (goma que transparece pelos golpes feito na árvore), 2 quilos e meio de cinamomo aromático (Árvore ornamental de flores pequenas e aromáticas), 2 quilos e meio de cana aromática (Vinha de um país longínquo, Jr 6.20), 5 quilos de cássia (pequena planta de cheiro mais penetrante e menos agradável do que o cinamono; comercializada em Tiro, Ez 27.19) e 9 litros de azeite de oliva. Embora valioso em sua essência, a quantidade não era suficiente para pagar as dívidas. Um milagre teria que acontecer.

3 - Então Eliseu ordenou: «Vá e tome emprestado dos vizinhos uma grande quantidade de vasilhas!
A situação da viúva já desconfortável pelo opróbrio sofrido ganha mais um agente de humilhação: pedir emprestado. Este é o drama vivido por todos os que caem em dívidas. Os vasos eram feitos de barro e exigiam uma série de cuidados para não se quebrarem. A mulher endividada tinha que manusear com todo o cuidado os receptáculos, afinal ela ainda não sabia do que estava por acontecer, apenas confiou na operação de Deus através do profeta. A outra questão bastante interessante é que a ordem era pegar “de todos os vizinhos” e “não poucos”. Se a viúva fosse uma mulher mal relacionada não poderia atender ao mandado de Eliseu. Diz um ditado que diz: “vale mais um amigo do que dinheiro no bolso”.

4,5 - Depois entre em casa, feche a porta com seus filhos dentro, e encha todas as vasilhas com azeite. Conforme você as for enchendo, vá colocando à parte». A mulher foi e se fechou em casa com os filhos. Estes iam levando as vasilhas e a mulher ia derramando o azeite dentro.

A ordem se trancar em casa com os filhos tem alguma aplicações. Jesus nos ensina a orar também de portas fechadas “Mas tu, quando orares, entra no teu aposento e, fechando a tua porta, ora a teu Pai, que vê o que está oculto; e teu Pai, que vê o que está oculto, te recompensará” (Mt 6.6). Nesta condição aparece a idéia de comunhão entre Deus e a Sua criatura. O salmista diz “O segredo do SENHOR é para os que o temem; e ele lhes fará saber o seu concerto” (Sl 25.14). A cena de uma mulher enchendo vasos e um vaso fluindo azeite como numa fonte de água viva poderia gerar uma série de conflitos entre a vizinhança; alguns poderiam conjeturar que fosse bruxaria, outros cochichando entre si sobre a possibilidade de ser um mero truque, outros gritando por querer também o produto por haver emprestado os vasos.

Deus muitas vezes faz milagres na nossa vida de tal forma que não podemos nem contar para os nossos amigos, sob pena de sermos zombados. Não importa a forma que venha a provisão, o importante é a sua chegada. Depois ouvimos dos nossos incrédulos amigos a tradicional pergunta: Como pode? Eu não sei, mas com certeza, Deus soube como fazer e Ele pode tudo o que quiser. “E disse Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU” Ex 3.14a.

6 - Quando as vasilhas ficaram cheias, ela pediu ao filho: «Traga mais uma». E ele respondeu: «Acabou». Então o azeite parou de correr.

Este fato não tem qualquer apoio científico e não precisa, o importante é que um milagre aconteceu. Enquanto havia um vaso vazio o azeite flui e encheu a todos eles.

Em nossa caminhada muitas vezes nos deparamos em situação grande desconforto. É a necessidade de um milagre (a multiplicação do azeite) e a nossa fé (la quantidade de vasos). Sabemos que Deus é dono de tudo. Tem poder para fazer todas as coisas e quer, como um pai, nos dar bens “Se, vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas {ou boas dádivas} coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?” Mt 7.11, mas existe uma linha muito tênue entre a fé e a realidade. Precisamos rever os nossos conceitos de fé e aprimorarmos a nossa visão espiritual. Isto não pode ser adquirido lendo jornais, revistas, livros, por melhores que sejam; não construímos o nosso edifício da fé com bases em teorias humanas, nem com pilares da filosofia nem as vigas da experiência dos homens e muito menos com as matérias oferecidos por esta sociedade cada vez mais materialista. Só conseguiremos alcançar a fé que faz encher os vasos de azeite lendo na Bíblia sagrada os feitos do SENHOR PROVERÁ. A fé não se compra, adquire-se. “De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17).

7 - A mulher foi contar isso ao homem de Deus, e ele disse: «Agora vá, venda o azeite, pague a dívida e use o que sobrar para viver com seus filhos».

Se Deus quisesse tratar o caso exclusivamente no cerne da questão sem se preocupar com as conseqüências e efeitos colaterais, poderia ter usado a Eliseu de outras formas. Um modo radical seria matar o credor, neste caso, passando a dor para a família dele. A mais clássica seria a chuva de ouro ou prata, neste caso contradizendo a lei da equidade. Tocar no coração do credor para perdoar as dívidas, abrindo uma longa luta entre todos os devedores e credores tementes a Deus. Fazer a vizinhança se solidarizar oferecendo alguma coisa para pudesse ajudar. Outras formas de operação poderiam ser usadas, mas o Todo-Poderoso preferiu a melhor, onde pudesse oferecer várias lições de vida e ética. A família pode sair do opróbrio em que viviam; uma porta de emprego foi-lhe aberta; os recursos apareceram, pela ação direta de Deus, do ministério do profeta Eliseu, ação da boa vizinhança, obediência e a abertura do mercado de trabalho.

Em um texto tão pequeno podemos ver a grandiosidade de Deus e o valor do ministério profético na vida do servo de Deus. Eliseu tinha uma vida de teoria e prática, ele não só sabia que Deus era (é e será, Hb 13.8) O SENHOR PROVERÁ, ele exteriorizava a sua fé através dos serviços prestados aos crentes necessitados.

Pelo menos dez lições importantes para a minha vida puderam extrair da história da viúva.

1 – O Todo-Poderoso É O QUE É;

2 – Como “Eu Sou o Que Sou” Deus escolhe um plano, não se submetendo a nenhuma lógica;

3 – Deus pode usar do recurso existente, por menor que seja e em qualquer circunstância;

4 – Para Deus operar um milagre a “nossa” quantidade não faz nenhuma diferença;

5 – Só Deus tem poder para multiplicar alguma coisa sem adição de material;

6 – O milagre aconteceu dentro das condições da família, de acordo com a quantidade de receptáculos que tinha para receber o produto do milagre;

7 – O produto que Deus ofereceu foi de boa qualidade e dentro dos padrões de consumo;

8 – Deus pode operar em qualquer tipo de adversidade;

9 – Para que aconteça um milagre, a fé e a obediência são imprescindíveis;

10 – Deus quando opera tudo à volta se transforma, não soluciona o problema como dá paz segurança prazer movimento e normalidade à vida.

Amados, o nosso Deus é o mesmo que salvaguardou Noé em uma geração pecaminosa; o que livrou Moisés da morte; que abriu o mar Vermelho e reteve as águas do rio Jordão; que deu vitória a Seu povo diante de todos os inimigos; que fez do fraco (Davi) um vencedor; que usou a Eliseu para transformar a situação da viúva totalmente arrasada, sem haveres, dinheiro, marido e bens, e ainda endividada e com riscos de perder os seus filhos.

Aquela viúva talvez não tivesse oportunidade de conhecer as maravilhas que Deus fez e as Suas obras em favor do Seu povo, mas cria que o Homem de Deus era um instrumento do Altíssimo; nós temos acesso ao maravilhoso compêndio destas obras através da Santa e Inspirada Bíblia Sagrada. Somos bem aventurados por acreditarmos que víssemos. Jesus não elogiou a Tomé, antes valorizou a fé dos que morreram e dos que viriam nascer e neste grupo, estamos incluídos “Disse-lhe Jesus: Porque me viste, Tomé creste; bem-aventurados os que não viram e creram!” (Jo 20.29). Para sermos alcançados pelo milagre precisamos obedecer ao que estabelece as Escrituras e termos fé, esta se consegue também através da Palavra de Deus. “A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus” (Rm 10.17).

Talvez não venhamos todos receber de Deus aquela Pajero ou uma casa na praia do mar do Norte em Rio das Ostras, mas Deus quer nos dar os meios para que possamos vencer as nossas guerras.

Eu dependo da Graça de Deus.fonte: 
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VERDADE PRÁTICA

Mesmo em meio à escassez, cremos que o Senhor é poderoso para suprir, em glória, todas as nossas necessidades.

INTRODUÇÃO

Na lição de hoje, estudaremos acerca do cuidado do Senhor para conosco e a disposição que devemos ter em cuidar e socorrer os necessitados. Ele multiplica nossos recursos, fazendo com que haja o bastante para todas as nossas carências básicas. Sim, Deus utiliza o que temos para alimentar os famintos ( 2 Rs 4.42-44 ). Em o Novo Testamento, o apóstolo João exorta-nos à prática do amor verdadeiro ; um sentimento que nos constrange a ser solícitos uns com os outros e buscar o bem dos necessitados ( I Jo 3.17-18 ).

I - LUTANDO CONTRA O IMPREVISTO

1. A viuvez
2. A dívida
3. A solução

II - DEUS AGE COM O QUE VOCÊ TEM

1. A botija de azeite
2. A farinha na panela
3. Cinco pães e dois peixes

ELA DEU TUDO QUANTO TINHA



4.    GRATIDÃO – Além de generosa a viúva demonstra gratidão. Ser grato é um gesto de reconhecimento pela bondade que o Senhor nos faz. A Bíblia diz: “...SEDE AGRADECIDOS” (Cl 3.15). Veja que ser agradecido é mais que um sentimento é um mandamento por reconhecer a generosidade do Senhor em nossas vidas.

5.    ESPERANÇA – Certamente aquela viúva cria no Deus de Israel que sempre livrou seu povo de terríveis situações como quando o povo, no tempo do profeta Eliseu, foi cercado pelo exercito Sírio e ficou a padecer fome que até canibalismo praticaram (II Re 6.29). Esta mulher demonstra ser filha de Abraão, pois quem em “sã consciência” daria uma oferta necessitando até mesmo de uma quantia maior para sobreviver? Aquela mulher demonstra o mesmo princípio de fé de Abraão que creu na esperança contra a esperança (Rm 4.16,18).

6.    DESPRENDIMENTO – Outro princípio a ser considerado na vida daquela viúva era o desprendimento quanto às coisas materiais; a Bíblia Sagrada diz que o amor ao dinheiro é o principio de todos os males (I Tm 6.10). É comum nos apegarmos com muito afinco ao que temos ainda mais quando se trata do último centavo. Mas aquela simples viúva demonstra uma confiança inabalável no Deus que servia, pois como era filha de Abraão sobre ela repousava a benção do Senhor que o salmista ressalta dizendo: FUI MOÇO, E AGORA SOU VELHO; MAS NUNCA VI DESAMPARADO O JUSTO, NEM A SUA DESCENDÊNCIA A MENDIGAR O PÃO. (Sl 37.25). Deus nos diz em sua Palavra que se as nossas riquezas aumentarem não devemos por nelas o coração (I Tm 6.17).

7.    FIDELIDADE – Fidelidade era o que a viúva tinha com certeza, sua fé a conduzia a praticar tamanha generosidade. Ela sabia em seu coração que o Senhor é bom e que Ele sempre cumpre suas promessas; ela não estava interessada em mostrar nada a ninguém, afinal já era quase que imperceptível ao olhar dos demais; menos aos olhos de Jesus. O que realmente importava era o que Deus pensava a este respeito e Glória a Deus Ele estava ali pessoalmente fazendo sua avaliação e louvando sua serva por tão nobre gesto de adoração e fé. Isto nos faz lembrar do que Paulo escreveu aos coríntios: DEUS ESCOLHEU AS COISAS VIS DESTE MUNDO, E AS DESPREZADAS, E AS QUE NÃO SÃO, PARA REDUZIR A NADA AS QUE SÃO; (I Co 1.28). Não podemos esquecer-nos do detalhe principal: JESUS É HUMILDE DE CORAÇÃO. Glória a Deus! Sejamos, pois como Ele.

8.    SIMPLICIDADE – Como citamos no principio anterior a humildade é proveitosa e se trata de um atributo do caráter de Jesus. Ele ama ao humilde, mas abomina o soberbo; todos os ricos que depositaram suas grandes quantias foram rejeitados pelo Senhor e reduzidos a nada; mas aquela viúva foi exaltada pelo Senhor. O texto não diz, mas com certeza naquele dia aquela mulher teve uma grande surpresa, certamente uma medida recalcada, sacudida e transbordante conforme Jesus havia dito; afinal Ele vela sobre sua Palavra para cumpri-la (Jr 1.12).

9.    AMOR – Por fim amados, não poderia faltar o principio essencial para oferta daquela viúva. Se ela deu tudo quanto tinha isto nos diz que ela amava ao Senhor de todo coração ao invés de toda riqueza que possuía. Paulo dizia que: AINDA QUE DISTRIBUÍSSE TODOS OS MEUS BENS PARA SUSTENTO DOS POBRES, E AINDA QUE ENTREGASSE O MEU CORPO PARA SER QUEIMADO, E NÃO TIVESSE AMOR, NADA DISSO ME APROVEITARIA. (I Co 13.3). Glória a Deus! Ela cumpria todos os requisitos de uma verdadeira adoradora. Sigamos seu exemplo, pois com certeza seremos recompensados pelo Senhor se assim o fizermos. fonte: http://moreiraflavio.blogspot.com.br

III - A PROVIDÊNCIA DIVINA

1. No Antigo Testamento
2. Em o Novo Testamento
3. Na atualidade
 A Providência Divina

“...não vos entristeçais, nem vos pese aos vossos olhos por me haverdes vendido para cá; porque, para conservação da vida, Deus me enviou diante da vossa face.”  Gn 45.5

Depois de o Senhor Deus criar os céus e a terra (Gn 1.1), Ele não deixou o mundo à sua própria sorte. Pelo contrário, Ele continua interessado na vida dos
seus, cuidando da sua criação. Deus não é como um hábil relojoeiro que formou o mundo, deu-lhe corda e deixa acabar essa corda lentamente até o fim; pelo contrário, Ele é o Pai amoroso que cuida daquilo que criou. O constante cuidado de Deus por sua criação e por seu povo é chamado, na linguagem doutrinal, a providência divina.

ASPECTOS DA PROVIDÊNCIA DIVINA.

Há, pelo menos, três aspectos da providência divina.

1) Preservação.
Deus, pelo seu poder, preserva o mundo que Ele criou. A confissão de Davi fica clara: “A tua justiça é como as grandes montanhas; os teus juízos são um grande abismo; SENHOR, tu conservas os homens e os animais” (Sl 36.6). O poder preservador de Deus manifesta-se através do seu filho Jesus Cristo, conforme Paulo declara em Cl 1.17: Cristo “é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por Ele”. Pelo poder de Cristo, até mesmo as minúsculas partículas de vida mantêm-se coesas.

2) Provisão.
Deus não somente preserva o mundo que Ele criou, como também provê as necessidades das suas criaturas. Quando Deus criou o mundo, criou também as estações (Gn 1.14) e proveu alimento aos seres humanos e aos animais (Gn 1.29,30). Depois de o Dilúvio destruir a terra, Deus renovou a promessa da provisão, com estas palavras: “Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite não cessarão” (Gn 8.22). Vários dos salmos dão testemunho da bondade de Deus em suprir do necessário a todas as suas criaturas (e.g., Sl 104; 145). O mesmo Deus revelou a Jó seu poder de criar e de sustentar (Jó 38—41), e Jesus asseverou em termos bem claros que Deus cuida das aves do céu e dos lírios do campo (Mt 6.26-30; 10.29). Seu cuidado abrange, não somente as necessidades físicas da humanidade, como também as espirituais (Jo 3.16,17). A Bíblia revela que Deus manifesta um amor e cuidado especiais pelo seu próprio povo, tendo cada um dos seus em alta estima (e.g., Sl 91; ver Mt 10.31). Paulo escreve de modo inequívoco aos crentes de Filipos: “O meu Deus, segundo as suas riquezas, suprirá todas as vossas necessidades em glória, por Cristo Jesus” (ver Fp 4.19 nota). De conformidade com o apóstolo João, Deus quer que seu povo tenha saúde, e que tudo lhe vá bem (ver 3Jo 2).

3) Governo.
Deus, além de preservar sua criação e prover-lhe o necessário, também governa o mundo. Deus, como Soberano que é, dirige, os eventos da história, que acontecem segundo sua vontade permissiva e seu cuidado. Em certas ocasiões, Ele intervém diretamente segundo o seu propósito redentor. Mesmo assim, até Deus consumar a história, Ele tem limitado seu poder e governo supremo neste mundo. As Escrituras declaram que Satanás é “o deus deste século” [mundo] (2Co 4.4) e exerce acentuado controle sobre a presente era maligna (ver 1Jo 5.19 nota; Lc 13.16; Gl 1.4; Ef 6.12; Hb 2.14). Noutras palavras, o mundo, hoje, não está submisso ao poder regente de Deus, mas, em rebelião contra Ele e escravizado por Satanás. Note, porém, que essa autolimitação da parte de Deus é apenas temporária; na ocasião que Ele já determinou na sua sabedoria, Ele aniquilará Satanás e todas as hostes do mal (Ap 19—20).

A PROVIDÊNCIA DIVINA E O SOFRIMENTO HUMANO.

A revelação bíblica demonstra que a providência de Deus não é uma doutrina abstrata, mas que diz respeito à vida diária num mundo mau e decaído.

1) Toda pessoa experimenta o sofrimento em certas ocasiões da vida e daí surge a inevitável pergunta “Por quê?” (cf. Jó 7.17-21; Sl 10.1; 22.1; 74.11,12; Jr 14.8,9,19). Essas experiências alvitram o problema do mal e do seu lugar nos assuntos de Deus.

2) Deus permite que os seres humanos experimentem as conseqüências do pecado que penetrou no mundo através da queda de Adão e Eva. José, por exemplo, sofreu muito por causa da inveja e da crueldade dos seus irmãos. Foi vendido como escravo pelos seus irmãos e continuou como escravo de Potifar, no Egito (37; 39). Vivia no Egito uma vida temente a Deus, quando foi injustamente acusado de imoralidade, lançado no cárcere (39) e mantido ali por mais de dois anos (40.1—41.14). Deus pode permitir o sofrimento em decorrência das más ações do próximo, embora Ele possa soberanamente controlar tais ações, de tal maneira que seja cumprida a sua vontade. Segundo o testemunho de José, Deus estava agindo através dos delitos dos seus irmãos, para a preservação da vida (45.5; 50.20).

3) Não somente sofremos as conseqüências dos pecados dos outros, como também sofremos as conseqüências dos nossos próprios atos pecaminosos. Por exemplo: o pecado da imoralidade e do adultério, freqüentemente resulta no fracasso do casamento e da família do culpado. O pecado da ira desenfreada contra outra pessoa pode levar à agressão física, com ferimentos graves ou até mesmo o homicídio de uma das partes envolvidas, ou de ambas. O pecado da cobiça pode levar ao furto ou desfalque e daí à prisão e cumprimento de pena.

4) O sofrimento também ocorre no mundo porque Satanás, o deus deste mundo, tem permissão para executar a sua obra de cegar as mentes dos incrédulos e de controlar as suas vidas (2Co 4.4; Ef 2.1-3). O NT está repleto de exemplos de pessoas que passaram por sofrimento por causa dos demônios que as atormentavam com aflição mental (e.g., Mc 5.1-14) ou com enfermidades físicas (Mt 9.32,33; 12.22; Mc 9.14-22; Lc 13.11,16.
Dizer que Deus permite o sofrimento não significa que Deus origina o mal que ocorre neste mundo, nem que Ele pessoalmente determina todos os infortúnios da vida. Deus nunca é o instigador do mal ou da impiedade (Tg 1.13). Todavia, Ele, às vezes, o permite, o dirige e impera soberanamente sobre o mal a fim de cumprir a sua vontade, levar a efeito seu propósito redentor e fazer com que todas as coisas contribuam para o bem daqueles que lhe são fiéis (ver Mt 2.13; Rm 8.28.

O RELACIONAMENTO DO CRENTE COM A PROVIDÊNCIA DIVINA.

O crente para usufruir os cuidados providenciais de Deus em sua vida, tem responsabilidades a cumprir, conforme a Bíblia revela.

1) Ele deve obedecer a Deus e à sua vontade revelada. No caso de José, por exemplo, fica claro que por ele honrar a Deus, mediante sua vida de obediência, Deus o honrou ao estar com ele (39.2, 3, 21, 23). Semelhantemente, para o próprio Jesus desfrutar do cuidado divino protetor ante as intenções assassinas do rei Herodes, seus pais terrenos tiveram de obedecer a Deus e fugir para o Egito (ver Mt 2.13). Aqueles que temem a Deus e o reconhecem em todos os seus caminhos têm a promessa de que Deus endireitará as suas veredas (Pv 3.5-7).

2) Na sua providência, Deus dirige os assuntos da igreja e de cada um de nós como seus servos. O crente deve estar em constante harmonia com a vontade de Deus para a sua vida, servindo-o e ajudando outras pessoas em nome dEle (At 18.9,10; 23.11; 26.15-18; 27.22-24).

3) Devemos amar a Deus e submeter-nos a Ele pela fé em Cristo, se quisermos que Ele opere para o nosso bem em todas as coisas (ver Rm 8.28).
Para termos sobre nós o cuidado de Deus quando em aflição, devemos clamar a Ele em oração e fé perseverante. Pela oração e confiança em Deus, experimentamos a sua paz (Fp 4.6,7), recebemos a sua força (Ef 3.16; Fp 4.13), a misericórdia, a graça e ajuda em tempos de necessidade (Hb 4.16; ver Fp 4.6). Tal oração de fé, pode ser em nosso próprio favor ou em favor do próximo (Rm 15.30-32; ver Cl 4.3.

Fonte: BEP 

 

CONCLUSÃO

A história do povo de Deus é marcada por milagres e provisões, pois o Senhor tem cuidado do seu povo e o seu zelo é notório. Todavia não podemos esquecer de praticar o amor que o Senhor Jesus nos ensinou ( Mc 12.31 ). O apóstolo Paulo deixou um rico ensinamento : " Então, em quanto temos tempo, façamos o bem a todos " ( Gl 6.10 ).
Deus pode e quer usar a nossa vida no alivio ao sofrimento dos que nos rodeiam. Assistamos ao nosso próximo como gostaríamos de ser assistidos ( I Jo 3.16-18 ).

Fonte : Lições Bíblicas ( CPAD )
3º trimestre de 2012

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