Você tem medo de morrer?


Num espaço de apenas 13 dias tive de voar de avião 6 vezes, por razões ministeriais. É muito interessante a experiéncia de voar, em especial quando se enfrenta turbulência, porque aí você consegue ver bem como as pessoas têm medo da morte. Você vê de tudo em um avião sacolejante: gente fazendo o sinal da cruz, unhas cravadas no braço da poltrona, mulheres agarradas aos braços de seus maridos ou namorados e até mesmo gritinhos. O cristão, curiosamente, não reage diferente: demonstra o mesmo medo da morte que o não cristão. Já parou para pensar nisso? Jesus veio à Terra para nos abrir os portões da vida eterna. Lemos isso na Bíblia, celebramos nos louvores, afirmamos no Credo Apostólico, quando algum cristão morre consolamos a família dizendo que “ele foi promovido à presença do Pai”, pregamos o Evangelho para “salvar almas”… só que quando a coisa é pra valer, quando pensamos na possibilidade da NOSSA morte, quase batemos na madeira três vezes. Alguns de nós até mesmo batem. Mas… que sentido faz esse medo diante de “…para que todo aquele que nEle crê não pereça, mas tenha a vida eterna“?
Salmos 116.15 afirma que “Preciosa é aos olhos do Senhor a morte dos seus santos“. Que coisa estupenda! Já parou para pensar no sentido dessa frase? Quando um salvo deixa seu corpo e dá o passo dentro da eternidade, Deus considera isso algo precioso. O que é sinônimo de “valioso”, talvez “importante”. Então o ser humano que viveu com Cristo morrerá em Cristo. E Deus verá isso como algo de grande valor. Uma preciosidade. Fico imaginando uma morte daquelas que consideramos das mais trágicas – para usar o exemplo, um acidente de avião. Todos choramos, nos entristecemos, nos abatemos. Que morte horrível! Trágica! Mas  já parou para pensar como isso funciona para o cristão que morreu dessa maneira?
Bem, eu admito: nunca morri antes. Então o que vou dizer agora não é fruto de experiência.  Mas a Palavra de Deus dá tantas informações sobre como se processa esse fenômeno que podemos imaginar com uma certa razoabilidade. Então acredito que seja mais ou menos assim: estamos sentados na poltrona do avião quando, de repente, algo ocorre. Seja lá o que for, qualquer rasguinho na fuselagem causa uma despressurização que, em alguns segundos, no máximo, lhe leva a desmaiar. Vamos supor que o avião caia. Seu corpo deixa de ter as funções necessárias para a vida terrena e seu espírito é ejetado dele para a dimensão da eternidade.
Analisando em termos de consciência, penso que seja assim: estou desperto e, um segundo depois, apago, meio confuso. Já desmaiei algumas vezes, então sei como é: basicamente a visão escurece de fora para dentro, um zumbido ocorre no ouvido, dá uma certa moleza e…só. O resto é escuridão. É rápido, sem sofrimento. No caso de isso evoluir para o óbito, penso que um segundo depois cumpre-se aquilo que Jesus disse para o ladrão da cruz em Lucas 23.43: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso“. Logo, suponho eu, pela análise das Escrituras, que poucos instantes após o desmaio ocorre enfim o que eu e você ansiamos mais do que tudo: vemos o Todo-Poderoso criador do universo face a face. Que momento esplendoroso, emocionante, magnífico! Então o Amor vira-se para você, sorri e diz: “Muito bem, servo bom e fiel; foste fiel no pouco, sobre o muito te colocarei; entra no gozo do teu senhor” (Mateus 25.23).
Que promessa! Que espetáculo! É enfim a concretização da esperança que nos acompanhou por toda nossa vida cristã! Deixamos de ver por espelho e contemplamos face a face o que é perfeito! Entramos na dimensão da presença palpável de Pai, Filho e Espírito Santo! Imagino que poderemos abraçar os anjos, conhecer enfim aqueles dentre eles que durante nosso bom combate acamparam ao nosso redor e nos protegeram, como diz Salmos 91.11: “Porque aos seus anjos dará ordens a teu respeito, para que te guardem em todos os teus caminhos“. Sim, conheceremos enfim esses amigos invisíveis que tanto nos ajudaram sem que nem soubéssemos! E mais: reencontraremos os nossos parentes e amigos mortos em Cristo e de quem sentimos saudade por tanto tempo! Que grande festa! Que alegria! Passados os primeiros momentos de celebração e novidade dessa nova realidade nos incorporaremos na rotina das esferas celestiais.
É quando veremos cenas espantosas aos olhos humanos, como a que Isaías 6 descreve: “Eu vi o Senhor assentado sobre um alto e sublime trono, e as abas de suas vestes enchiam o templo. Serafins estavam por cima dele; cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os seus pés e com duas voava. E clamavam uns para os outros, dizendo: Santo, santo, santo é o Senhor dos Exércitos; toda a terra está cheia da sua glória“.  Depois veríamos se cumprir Apocalipse 4.8: “E os quatro seres viventes, tendo cada um deles, respectivamente, seis asas, estão cheios de olhos, ao redor e por dentro; não têm descanso, nem de dia nem de noite, proclamando: Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que há de vir“.
E estaríamos presentes quando ocorresse o descrito em Apocalipse 7.9: “Depois destas coisas, vi, e eis grande multidão que ninguém podia enumerar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, em pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de vestiduras brancas, com palmas nas mãos; e clamavam em grande voz, dizendo: Ao nosso Deus, que se assenta no trono, e ao Cordeiro, pertence a salvação. Todos os anjos estavam de pé rodeando o trono, os anciãos e os quatro seres viventes, e ante o trono se prostraram sobre o seu rosto, e adoraram a Deus, dizendo: Amém! O louvor, e a glória, e a sabedoria, e as ações de graças, e a honra, e o poder, e a força sejam ao nosso Deus, pelos séculos dos séculos. Amém!“. E nós estaremos ali, como testemunhas oculares de tudo isso. Que extraordinário…
Fato é que temos pavor da morte, nós, cristãos. Mas… você não anseia desfrutar da plenitude do amor de Deus? Então ouça o apóstolo Paulo, que, conforme diz em 2 Coríntios 12, foi testemunha ocular do que nos espera um passo além da morte: “Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até ao terceiro céu (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) e sei que o tal homem (se no corpo ou fora do corpo, não sei, Deus o sabe) foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inefáveis, as quais não é lícito ao homem referir“. E esse mesmo Paulo, que viu o que nos aguarda, afirma peremptoriamente em Romanos 8.38: “Porque eu estou bem certo de que NEM A MORTE, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as coisas do presente, nem do porvir, nem os poderes, nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura poderá separar-nos do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor“. Que delícia ouvir isso. E o que Paulo pôde ver no Reino que nos espera após a morte o fez incisivamente declarar em Filipenses 1: “Com toda a ousadia, como sempre, também agora, será Cristo engrandecido no meu corpo, quer pela vida, quer pela morte. Porquanto, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é lucro“. Uau. E ele prossegue no versículo 22: “Entretanto, se o viver na carne traz fruto para o meu trabalho, já não sei o que hei de escolher. Ora, de um e outro lado, estou constrangido, tendo o desejo de partir e estar com Cristo, o que é incomparavelmente melhor“.
Incomparavelmente melhor. Você consegue alcançar a amplidão dessa expressão? Significa que aquele passo que daremos para fora do corpo não tem nível de comparação com o que vivemos hoje. E o mais fantástico: para melhor. Ou seja: o que o homem que Deus permitiu ver o que existe naquele estado que chamamos de “morte” afirma é: o que existe ali é tão, mas tão melhor do que aquilo que vivemos nesta terra que é impossível comparar. E as promessas para o porvir dos salvos não param por aí: “Todavia, como está escrito: ‘Olho nenhum viu, ouvido nenhum ouviu, mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam’.” (1 Coríntios 2.9)
Bem, diante disso tudo, o que dizer? Deus pôs dentro de cada um de nós o instinto de sobrevivência? Sem dúvida. Nenhum de nós diria “quero morrer hoje” graças a esse instinto.  Mas isso se deve única e exclusivamente a esse impulso irracional e animal de manter-se vivo a todo custo. Racionalmente, diante de tudo o que está descrito acima e muitas outras passagens sobre o chamado Paraíso, por que nós, cristãos, deveríamos temer a morte? Não é incoerente? Por que deveria um cristão ter medo de voar de avião? O que nos impede de dizer “para mim o viver é Cristo e o morrer é lucro“? Te digo: falta de fé. A incerteza acerca daquilo que está escrito e descrito na Palavra de Deus.
Se existir um pingo de dúvida acerca do que a Bíblia afirma existir na vida após a morte, temeremos. Já ouvi cristãos dizerem “não tenho medo da morte, mas de sofrer na hora da morte”. Bem, mas nossa vida não é um oceano de sofrimentos? Acordar de manhã não é garantia de que vamos sofrer muitas vezes até nos deitarmos para dormir à noite? Sofremos dores físicas, psicológicas, emocionais, inseguranças, medos, dúvidas… viver é sofrer. Então… medo de morrer por causa do sofrimento que pode haver no instante de dar esse passo para “o tabernáculo de Deus com os homens“, onde, segundo Apocalipse 21, “Deus habitará com eles. Eles serão povos de Deus, e Deus mesmo estará com eles. E lhes enxugará dos olhos toda lágrima, e a morte já não existirá, já não haverá luto, nem pranto, nem dor, porque as primeiras coisas passaram“? É preferível permanecer?
Sim, medo de sofrer. Mas é um medo que ocorre em quem nunca leu com atenção Romanos 8.18 e introjetou a ferro e fogo em sua alma o que essa passagem nos promete claramente: “Os sofrimentos do tempo presente não podem ser comparados com a glória a ser revelada em nós“. Como temer o além-vida se cremos nisso?
A morte para o salvo não é nossa inimiga. É nossa libertadora. É uma amiga que nos tomará pela mão e nos conduzirá até o descanso. Até a meta. Até o porto seguro. Até Jesus Cristo, nosso amigo. Ao lado de quem viveremos pelos séculos dos séculos – em paz.
E é essa paz que desejo a todos vocês que estão em Cristo. A paz eterna.
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fonte  : http://apenas1.wordpress.com/

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