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Comentário da Lição 2: A Porta da Fé se Abre entre os Gentios

 


A Porta da Fé se Abre entre os Gentios

Texto Áureo: Atos 13.47

A lição nos apresenta um dos momentos mais importantes da expansão do Cristianismo: a abertura da porta da fé aos gentios. Desde o início, Deus planejou que a salvação alcançasse todas as nações da terra. A promessa feita a Abraão já apontava para essa verdade: “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). O que vemos em Atos 13 e 14 é o cumprimento desse propósito eterno.

A missão de Paulo e Barnabé não nasceu de um projeto humano, mas da direção do Espírito Santo (At 13.2,3). A Igreja de Antioquia compreendeu que a evangelização é uma obra divina e, por isso, enviou seus missionários em obediência ao chamado de Deus. Essa atitude nos ensina que a verdadeira missão começa na oração, no jejum e na sensibilidade à voz do Espírito.

A Primeira Porta Aberta em Chipre

Ao chegarem a Chipre, Paulo e Barnabé enfrentaram oposição espiritual através de Elimas, o mágico (At 13.6-12). Isso revela que toda obra missionária encontra resistência das trevas. Contudo, o poder do Evangelho é maior que qualquer oposição. A conversão do procônsul Sérgio Paulo demonstra que Deus pode alcançar pessoas de todas as posições sociais quando a Palavra é anunciada com autoridade.

Jesus declarou que a luz resplandece nas trevas e as trevas não prevalecem contra ela (Jo 1.5). Da mesma forma, a Igreja deve continuar proclamando o Evangelho com coragem, confiando no poder transformador de Deus (Rm 1.16).

Antioquia da Pisídia: A Luz para os Gentios

Em Antioquia da Pisídia, Paulo pregou que Jesus era o cumprimento das promessas do Antigo Testamento. Sua mensagem mostrou que Cristo é o Salvador prometido, morto e ressuscitado para justificar todo aquele que crê (At 13.38,39).

Quando muitos judeus rejeitaram a mensagem, Paulo e Barnabé declararam: “Eis que nos voltamos para os gentios” (At 13.46). Essa decisão não representava a rejeição definitiva de Israel, mas o avanço do plano divino para alcançar todas as nações. Paulo fundamentou sua declaração em Isaías 49.6, mostrando que Deus havia determinado que Seu povo fosse luz para os gentios. Atos 13.47 confirma esse propósito ao afirmar que a salvação deveria chegar “até aos confins da terra”.

A alegria dos gentios ao receberem o Evangelho demonstra que o coração humano anseia pela graça de Deus. A salvação não é privilégio de um povo, mas oferta divina para todos os que creem em Jesus Cristo (Jo 3.16; 1Tm 2.4).

A Fé que Persevera

A viagem missionária continuou em Icônio, Listra e Derbe. Nessas cidades, Paulo e Barnabé experimentaram tanto milagres quanto perseguições. Em Icônio, muitos creram, mas também surgiu oposição (At 14.1-7). Em Listra, Paulo foi apedrejado e deixado como morto (At 14.19). Mesmo assim, ele se levantou e continuou anunciando o Evangelho.

Essa perseverança nos ensina que o sucesso da obra missionária não é medido pela ausência de dificuldades, mas pela fidelidade a Cristo. Jesus advertiu que Seus seguidores enfrentariam tribulações (Jo 16.33), porém também prometeu Sua presença constante (Mt 28.20).

Lições para os Dias Atuais

  1. Deus deseja salvar todas as pessoas, independentemente de sua origem ou cultura (2Pe 3.9).
  2. A missão da Igreja continua sendo anunciar o Evangelho a todas as nações (Mc 16.15).
  3. O Espírito Santo continua abrindo portas para a evangelização (At 14.27).
  4. A oposição não pode impedir o avanço da Palavra de Deus (2Tm 2.9).
  5. A alegria e o poder do Espírito Santo sustentam os crentes em meio às dificuldades (At 13.52).

Conclusão

A expressão “porta da fé” revela que somente Deus pode abrir o coração das pessoas para receber o Evangelho. Quando Paulo e Barnabé retornaram à igreja de Antioquia, testemunharam que o Senhor havia “aberto aos gentios a porta da fé” (At 14.27). Essa verdade continua atual. A missão da Igreja é proclamar; o Espírito Santo é quem convence e transforma.

Que cada cristão compreenda que foi chamado para ser luz neste mundo (Mt 5.14-16), participando da grande missão de levar a mensagem da salvação até os confins da terra.

 


A Porta da Fé se Abre entre os Gentios

Texto Áureo: Atos 13.47

A lição nos apresenta um dos momentos mais importantes da expansão do Cristianismo: a abertura da porta da fé aos gentios. Desde o início, Deus planejou que a salvação alcançasse todas as nações da terra. A promessa feita a Abraão já apontava para essa verdade: “em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). O que vemos em Atos 13 e 14 é o cumprimento desse propósito eterno.

A missão de Paulo e Barnabé não nasceu de um projeto humano, mas da direção do Espírito Santo (At 13.2,3). A Igreja de Antioquia compreendeu que a evangelização é uma obra divina e, por isso, enviou seus missionários em obediência ao chamado de Deus. Essa atitude nos ensina que a verdadeira missão começa na oração, no jejum e na sensibilidade à voz do Espírito.

A Primeira Porta Aberta em Chipre

Ao chegarem a Chipre, Paulo e Barnabé enfrentaram oposição espiritual através de Elimas, o mágico (At 13.6-12). Isso revela que toda obra missionária encontra resistência das trevas. Contudo, o poder do Evangelho é maior que qualquer oposição. A conversão do procônsul Sérgio Paulo demonstra que Deus pode alcançar pessoas de todas as posições sociais quando a Palavra é anunciada com autoridade.

Jesus declarou que a luz resplandece nas trevas e as trevas não prevalecem contra ela (Jo 1.5). Da mesma forma, a Igreja deve continuar proclamando o Evangelho com coragem, confiando no poder transformador de Deus (Rm 1.16).

Antioquia da Pisídia: A Luz para os Gentios

Em Antioquia da Pisídia, Paulo pregou que Jesus era o cumprimento das promessas do Antigo Testamento. Sua mensagem mostrou que Cristo é o Salvador prometido, morto e ressuscitado para justificar todo aquele que crê (At 13.38,39).

Quando muitos judeus rejeitaram a mensagem, Paulo e Barnabé declararam: “Eis que nos voltamos para os gentios” (At 13.46). Essa decisão não representava a rejeição definitiva de Israel, mas o avanço do plano divino para alcançar todas as nações. Paulo fundamentou sua declaração em Isaías 49.6, mostrando que Deus havia determinado que Seu povo fosse luz para os gentios. Atos 13.47 confirma esse propósito ao afirmar que a salvação deveria chegar “até aos confins da terra”.

A alegria dos gentios ao receberem o Evangelho demonstra que o coração humano anseia pela graça de Deus. A salvação não é privilégio de um povo, mas oferta divina para todos os que creem em Jesus Cristo (Jo 3.16; 1Tm 2.4).

A Fé que Persevera

A viagem missionária continuou em Icônio, Listra e Derbe. Nessas cidades, Paulo e Barnabé experimentaram tanto milagres quanto perseguições. Em Icônio, muitos creram, mas também surgiu oposição (At 14.1-7). Em Listra, Paulo foi apedrejado e deixado como morto (At 14.19). Mesmo assim, ele se levantou e continuou anunciando o Evangelho.

Essa perseverança nos ensina que o sucesso da obra missionária não é medido pela ausência de dificuldades, mas pela fidelidade a Cristo. Jesus advertiu que Seus seguidores enfrentariam tribulações (Jo 16.33), porém também prometeu Sua presença constante (Mt 28.20).

Lições para os Dias Atuais

  1. Deus deseja salvar todas as pessoas, independentemente de sua origem ou cultura (2Pe 3.9).
  2. A missão da Igreja continua sendo anunciar o Evangelho a todas as nações (Mc 16.15).
  3. O Espírito Santo continua abrindo portas para a evangelização (At 14.27).
  4. A oposição não pode impedir o avanço da Palavra de Deus (2Tm 2.9).
  5. A alegria e o poder do Espírito Santo sustentam os crentes em meio às dificuldades (At 13.52).

Conclusão

A expressão “porta da fé” revela que somente Deus pode abrir o coração das pessoas para receber o Evangelho. Quando Paulo e Barnabé retornaram à igreja de Antioquia, testemunharam que o Senhor havia “aberto aos gentios a porta da fé” (At 14.27). Essa verdade continua atual. A missão da Igreja é proclamar; o Espírito Santo é quem convence e transforma.

Que cada cristão compreenda que foi chamado para ser luz neste mundo (Mt 5.14-16), participando da grande missão de levar a mensagem da salvação até os confins da terra.

Lição 2: A porta da fé se abre entre os gentios

 Lição 2: A porta da fé se abre entre os gentios

Data: 12 de julho de 2026

 

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de salvação até aos confins da terra.(At 13.47).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O propósito de Deus é que o Evangelho alcance todas as nações, revelando seu eterno desejo de salvar a todos.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — At 1.8

A missão aos gentios nasce da promessa do Espírito

 

 

Terça — At 11.26

Quem é formado em Cristo vive para anunciar Cristo

 

 

Quarta — At 11.20

A primeira porta que Deus usa para alcançar os gentios

 

 

Quinta — Is 49.6

Deus planejou que seu povo fosse luz para as nações

 

 

Sexta — Rm 1.16

O Evangelho é poder de Deus para todo o ser humano

 

 

Sábado — At 14.27

É Deus quem abre a porta da fé aos gentios

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Atos 13.44-52.

 

44 — E, no sábado seguinte, ajuntou-se quase toda a cidade a ouvir a palavra de Deus.

45 — Então, os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo dizia.

46 — Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e vos não julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios.

47 — Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de salvação até aos confins da terra.

48 — E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.

49 — E a palavra do Senhor se divulgava por toda aquela província.

50 — Mas os judeus incitaram algumas mulheres religiosas e honestas, e os principais da cidade, e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fora dos seus limites.

51 — Sacudindo, porém, contra eles o pó dos pés, partiram para Icônio.

52 — E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

 

HINOS SUGERIDOS

 

65, 224 e 305 da Harpa Cristã.

 

PLANO DE AULA

 

1. INTRODUÇÃO

 

Nesta lição acompanhamos um dos momentos mais marcantes da história da Igreja: quando Deus abre, de forma clara e soberana, a porta da fé aos gentios. Ao seguir a primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé, percebemos que o Evangelho avança mesmo em meio à oposição, à rejeição e às dores do ministério. Ensinar esse conteúdo é conduzir os alunos a compreenderem que a missão não depende da aceitação humana, mas da fidelidade ao chamado de Deus. A igreja que discerne o agir do Espírito aprende a perseverar, a confiar no poder do Evangelho e a celebrar cada porta que o Senhor abre para a salvação.

 

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição: I) Explicar ao aluno o avanço missionário entre os gentios de acordo com a Missão em Chipre; II) Revelar ao aluno o impacto do Evangelho em Antioquia da Pisídia; III) Fortalecer no aluno a fé que perseverou em Icônio, Listra e Derbe.

B) Motivação: Estudar a missão entre os gentios nos ajuda a compreender que o Evangelho ultrapassa fronteiras culturais, religiosas e geográficas. Ao acompanhar a ação do Espírito Santo em Atos, percebemos que a igreja de hoje é herdeira dessa missão e chamada a viver a fé com coragem, perseverança e compromisso com a salvação de vidas.

C) Sugestão de Método: Para iniciar a aula, o professor pode apresentar um breve percurso missionário, como se conduzisse a classe por uma “viagem” com Paulo e Barnabé. Comece localizando Chipre como a primeira porta aberta aos gentios, avance para Antioquia da Pisídia, onde o Evangelho ilumina corações e provoca decisões, e prossiga até Icônio, Listra e Derbe, destacando a perseverança da fé em meio à oposição. Use um mapa das viagens missionárias do apóstolo Paulo disponíveis em Atlas ou em Bíblias de Estudo. Esse movimento ajuda o aluno a perceber que a missão cristã é progressiva, enfrenta desafios distintos em cada contexto, e permanece firme porque é conduzida pelo Espírito Santo.

 

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Assim como a Igreja Primitiva respondeu ao chamado de Deus em diferentes cidades e contextos, somos desafiados a avaliar nossa disposição em obedecer ao Espírito Santo, hoje. A lição nos convida a perseverar na fé, anunciar o Evangelho com coragem e confiar que Deus continua abrindo portas, mesmo em meio às dificuldades.

 

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 106, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Luz que Alcança os Gentios”, localizado depois do segundo tópico, aprofunda a questão do alcance do Evangelho aos gentios a partir de um debate entre os judeus; 2) O texto “O Papel da fé na Tarefa”, localizado ao final do terceiro tópico, reflete sobre o papel da fé na missão da igreja cristã.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

A primeira viagem missionária do apóstolo Paulo está registrada em Atos 13 e 14. Logo após serem separados pelo Espírito Santo (At 13.2,3), Paulo e Barnabé, guiados pela direção divina, iniciaram a obra que o Senhor lhes confiara. A jornada durou cerca de dois anos, entre 46 e 48 d.C. Nesse período, acompanhados por João Marcos, partiram de Antioquia da Síria, seguiram para Chipre — terra natal de Barnabé — e avançaram pela Ásia Menor, anunciando o Evangelho em Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. Toda a missão tinha um alvo claro: alcançar os gentios e revelar que o plano de Deus abraça todas as nações sob a luz de Cristo. Esse é o assunto que veremos nesta lição.

 

 

Palavra-Chave:

 

MISSÃO

 

 

I. A MISSÃO EM CHIPRE: A PRIMEIRA PORTA ABERTA ENTRE OS GENTIOS

 

1. O envio missionário e o avanço da Palavra. Conduzidos pelo Espírito Santo, Paulo e Barnabé partiram de Antioquia, desceram a Selêucia e navegaram rumo a Chipre — terra natal de Barnabé e já evangelizada por helenistas (At 11.19). Aportando em Salamina, anunciaram o Evangelho nas sinagogas, cumprindo o princípio missionário revelado por Paulo: “primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16). Acompanhados por João Marcos, seu cooperador (Cl 4.10), avançaram pela ilha até Pafos (At 13.6). Assim, a missão se expandia, demonstrando que proclamar a Palavra exige fidelidade (2Tm 3.16,17), reverência (Jr 23.28,29) e obediência sensível à direção do Espírito Santo (At 13.2).

2. O confronto com as trevas e a vitória do Evangelho (vv.6-8). Em Pafos, os missionários enfrentaram Barjesus, também chamado Elimas — um mágico e falso profeta (Dt 18.9-11; Gl 5.20,21). Ele resistia à pregação, tentando impedir que o procônsul Sérgio Paulo, homem prudente, ouvisse a Palavra de Deus. Cheio do Espírito Santo, Paulo o repreendeu com autoridade, declarando o juízo divino (v.11). A cegueira que o atingiu confirmou o poder do Evangelho e levou Sérgio Paulo a crer, maravilhado com a doutrina do Senhor. Onde a luz resplandece, as trevas recuam (Jo 1.5; Ef 6.12).

3. Confiando no poder transformador do Evangelho (vv.9-12). O encontro em Pafos revela que o Evangelho rompe barreiras sociais e espirituais. Paulo, cheio do Espírito Santo, confronta Elimas e testemunha a conversão de Sérgio Paulo, mostrando que a Palavra transforma mente, coração e vida (Rm 12.2; 2Co 5.17). O Evangelho ilumina o entendimento, renova o interior e produz frutos visíveis (Tg 2.14-26). Que também confiemos nesse poder, orando por quem resiste e anunciando com fé. A jornada agora avança para Antioquia da Pisídia, onde a missão alcançará novas proporções.

 

 

SINOPSE I

Em Chipre, o Espírito abre a primeira porta da missão gentílica.

 

 

II. A MISSÃO EM ANTIOQUIA DA PISÍDIA: O EVANGELHO QUE ILUMINA

 

1. A exposição apostólica que revela Cristo nas Escrituras (At 13.16-43). Levantando-se na sinagoga, Paulo dirige-se a judeus e gentios tementes a Deus e percorre a história de Israel para revelar que tudo aponta para Cristo. Recorda os juízes e Saul (Jz 2.16; 1Sm 31.13), apresenta Jesus como o descendente de Davi (Mt 1.1-17; Lc 3.23-38), afirma que João preparou seu caminho (Mt 3), que a cruz cumpriu as profecias (Is 53; Sl 22) e que a ressurreição foi confirmada por testemunhas e pelas Escrituras (1Co 15.1-23; Sl 2.7; 16.10). Proclama a justificação pela fé (Rm 4.13-21) e a salvação a quem crê (Jo 3.16,36). Seu discurso termina com um apelo solene para que os ouvintes não repitam o erro dos que rejeitaram o Messias. A repercussão é imediata: enquanto muitos judeus se retiram, os gentios rogam que Paulo retorne no sábado seguinte. E assim, “quase toda a cidade” se reúne para ouvir a Palavra (At 13.44), revelando uma abertura extraordinária ao Evangelho.

2. A rejeição dos judeus e a tristeza de Paulo diante da incredulidade (At 13.44,45). Fiel ao princípio de alcançar primeiro o judeu e depois o gentio (Rm 1.16), Paulo inicia sua pregação nas sinagogas. Contudo, em Antioquia da Pisídia, a inveja e a resistência dos judeus revelam a dor do apóstolo ao ver seu povo rejeitar o Evangelho (Rm 9.1-3). Diante dessa recusa, Paulo e Barnabé declaram: “Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, [...] eis que nos voltamos para os gentios” (At 13.46). Assim, dentro do propósito soberano de Deus, o Evangelho alcança as nações.

3. A porta da fé aberta aos gentios pela graça de Deus (At 13.46-49). Ao rejeitarem a mensagem, muitos judeus se tornaram “indignos da vida eterna”, não por um decreto arbitrário, mas pela resistência voluntária ao Evangelho. Assim, Paulo volta-se aos gentios, que recebem a Palavra com alegria e fé sincera. Cumpre-se, então, o propósito divino anunciado em Isaías: Israel seria luz para as nações (Is 49.6), e de Israel viria Cristo, a “luz para revelação aos gentios” (Lc 2.32 — NAA). O texto afirma que “creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (v.48). A melhor compreensão, conforme a Bíblia de Estudo Pentecostal, é: “todos os que estavam dispostos para a vida eterna”. Ou seja, todos os que responderam positivamente ao chamado do Espírito. A salvação é oferecida a todos (1Tm 2.4; Tt 2.11; 2Pe 3.9), mas acolhida apenas pelos que creem. Muitos gentios acolheram a Palavra e tornaram-se testemunhas vivas do poder transformador do Evangelho.

Ainda hoje, o Senhor abre portas onde menos esperamos. A missão avança quando a igreja responde com fé, discernimento e obediência. Assim como Antioquia da Pisídia se tornou o lugar de grande colheita, Deus deseja usar cada crente como portador da luz de Cristo. A obra, porém, não terminou ali. Agora, a jornada missionária se desloca para Icônio, Listra e Derbe, onde novos desafios e milagres revelarão novamente o poder do Evangelho por meio do Espírito Santo.

 

 

SINOPSE II

O Evangelho ilumina Antioquia da Pisídia e alcança os gentios.

 

AUXÍLIO DEVOCIONAL

 

 

LUZ QUE ALCANÇA OS GENTIOS

 

“A mensagem de Paulo aos judeus na sinagoga de Antioquia [da Pisídia] começou com uma ênfase na aliança de Deus com Israel. Este era um ponto de acordo, porque todos os judeus tinham orgulho de ser o povo escolhido de Deus. Então Paulo continuou a explicar como as Boas Novas representam o cumprimento da aliança. Mas, para alguns judeus, foi difícil aceitar esta mensagem. [...] Porque era necessário que as Boas Novas chegassem primeiro aos judeus? Deus planejou que por intermédio da nação judaica todo o mundo viesse a conhecê-lo (Gn 12.3). Paulo, um judeu, amava seu povo (Rm 9.1-5) e queria dar-lhe a oportunidade de unir-se a ele na proclamação da salvação de Deus. Infelizmente, muitos judeus não reconheceram a Jesus como o Messias e não entenderam que Deus oferecia a salvação a todos, judeus e gentios, que fossem a Ele por meio da fé em Cristo. Deus planejou que Israel fosse essa luz (Is 49.6). De Israel, nasceu Jesus, a Luz das nações (Lc 2.32). Esta Luz se expandiria e iluminaria os gentios” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp.1510,1511).

 

 

III. A MISSÃO EM ICÔNIO, LISTRA E DERBE: A FÉ QUE PERSEVERA

 

1. Icônio: o testemunho ousado que enfrenta oposição (At 14.1-7). Em Icônio, Paulo e Barnabé entraram na sinagoga e anunciaram o Evangelho com tal convicção que muitos judeus e gregos creram. O Senhor confirmava a Palavra com “sinais e prodígios” (v.3), dando testemunho da graça que operava por meio deles. Entretanto, a cidade dividiu-se, e uma conspiração surgiu para apedrejá-los. Obedientes à direção do Espírito, os missionários retiraram-se para Listra, não por medo, mas por prudência, preservando-se para continuar a missão (Mt 10.23). Onde a Palavra frutifica, a oposição também se levanta, mas o avanço do Evangelho não pode ser detido.

2. Listra: milagres, confusão religiosa e sofrimento por Cristo (At 14.8-20). Em Listra, Paulo cura um homem aleijado de nascimento, o que leva a multidão, confundida, a tentar adorá-los como deuses. Paulo e Barnabé rejeitam a idolatria e anunciam o Deus vivo, Criador de todas as coisas. Porém, judeus vindos de Antioquia e Icônio incitam o povo contra eles, e Paulo é apedrejado e deixado como morto. Mas o Senhor o restaura, e ele se levanta, retornando à cidade para reafirmar seu compromisso com o Evangelho. A fé bíblica não foge da dor: permanece firme porque está ancorada no Deus vivo.

3. Derbe: frutos que brotam da perseverança (At 14.20,21). Em Derbe, o Evangelho encontra terreno fértil. Muitos se convertem, e novos discípulos são formados. Mesmo após perseguições e sofrimento, Paulo e Barnabé continuam a pregar e edificam uma comunidade forte na fé. A obra missionária prossegue porque suas raízes não estão na comodidade, mas na fidelidade ao chamado de Cristo.

 

 

SINOPSE III

Em Icônio, Listra e Derbe, a fé persevera apesar da oposição.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

 

 

O PAPEL DA FÉ NA TAREFA

 

“Deus ordenou que o cristianismo fosse uma religião de fé. Do ponto de vista objetivo, o cristianismo é uma religião de revelação sobrenatural. Do ponto de vista subjetivo, é uma religião de fé. A fé é o olho espiritual que observa Deus, que percebe Cristo como o Salvador e Senhor, que entende a Bíblia como a Palavra de Deus, que aceita a tarefa missionária como o propósito e a vontade de Deus, que descobre missões como o resultado natural da obra de Cristo, e que missões é um elemento inerente do chamado à salvação e submissão obediente às inclinações do Espírito Santo. Sem fé é impossível agradar a Deus; a fé é fundamental para toda a vida e todo empreendimento cristão. Não há uma obra espiritual verdadeiramente cristã que não seja também uma obra de fé. Embora o homem através da queda tenha se transformado de um ser que crê em um ser descrente, ainda assim, através da operação do Espírito Santo, pode voltar a ser crente. Pela fé, ele aceita a salvação oferecida em Cristo. Paulo nos diz que caminhamos pela fé e não pela visão. A vida cristã é, do início ao fim, uma vida de fé; assim como também é a tarefa missionária.” (PETERS, George W. Teologia Bíblica de Missões. Rio de Janeiro: CPAD, 2000, p.196)

 

 

CONCLUSÃO

 

Ao encerrar esse ciclo missionário, os apóstolos retornam às cidades onde haviam sofrido, fortalecendo os discípulos e estabelecendo presbíteros (At 14.22,23). Depois, apresentam à igreja de Antioquia o relatório do que Deus fizera, celebrando que “abrira aos gentios a porta da fé” (At 14.27). A missão continua porque a graça conduz, sustenta e abre caminhos onde parecia impossível.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1. Por onde Paulo e Barnabé avançaram anunciando o Evangelho após partirem de Antioquia da Síria, para Chipre?

Avançaram pela Ásia Menor, em Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe.

 

2. O que o encontro em Pafos revela?

O encontro em Pafos revela que o Evangelho rompe barreiras sociais e espirituais.

 

3. O que Paulo e Barnabé declaram com a recusa dos judeus ao Evangelho?

“Era mister que nós se vos pregasse primeiro a Palavra de Deus.”

 

4. Por que os judeus se tornaram indignos da vida eterna, e o que se seguiu?

Ao rejeitarem a mensagem, muitos judeus se tornaram “indignos da vida eterna”, não por um decreto arbitrário, mas pela resistência voluntária ao Evangelho. Assim, Paulo volta-se aos gentios, que recebem a Palavra com alegria e fé sincera.

 

5. O que aconteceu quando os judeus vindos de Antioquia incitaram o povo contra Paulo e Barnabé?

Paulo é apedrejado e deixado como morto. Mas o Senhor o restaura, e ele se levanta, retornando à cidade para reafirmar seu compromisso com o Evangelho.

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

 

A PORTA DA FÉ SE ABRE ENTRE OS GENTIOS

 

O propósito de Deus para alcançar todas as nações contou com a colaboração de um servo escolhido especificamente para esta missão. O apóstolo Paulo foi posto pelo próprio Cristo como “luz para os gentios” (At 13.47) e, dessa forma, grande parte da evangelização do mundo antigo teve a participação deste valoroso homem de Deus. Em sua primeira viagem missionária, o apóstolo vivenciou manifestações gloriosas do poder divino, ao passo que o próprio apóstolo afirma que Deus “abrira aos gentios a porta da fé” (At 14.27). Um fato marcante durante o cumprimento da missão por Paulo e Barnabé é que o anúncio do Evangelho sempre foi seguido de embates contra as forças espirituais das trevas, bem como por perseguições. Contudo, a mão do Senhor conduzia, protegia e confirmava a atuação dos missionários (At 14.3,4). Esta é uma realidade que aqueles que dedicam suas vidas a anunciar o Evangelho da graça devem se acostumar. Não há nenhuma promessa de alívio. Antes, as perseguições atestam que a igreja está no rumo certo no que diz respeito a alcançar almas para a salvação. O Comentário do Novo Testamento — Aplicação Pessoal (CPAD), ressalta os episódios em Icônio: “A perseguição parece ter sido, em parte, a razão pela qual Paulo e Barnabé se detiveram em Icônio. Como já aconteceu em todos os lugares onde eles estiveram, Deus dava testemunho à palavra da sua graça, permitindo que por suas mãos se fizessem sinais e prodígios — provavelmente curando os doentes e expulsando demônios. No Livro de Atos, sinais e prodígios são essenciais para revelar a obra de salvação em Cristo e para proclamar o Evangelho, conferindo autenticidade à autoridade dos apóstolos. Ainda assim, houve um desacordo e dividiu-se a multidão da cidade. Alguns creram nos rumores e eram pelos judeus, ao passo que outros eram pelos apóstolos. Num motim, uma multidão de gentios e judeus decidiu atacar os apóstolos e apedrejá-los. Felizmente, os apóstolos fugiram. A oposição não interrompeu a sua mensagem. Paulo e Barnabé foram à região da Licaônia” (2009, Volume 1, p.687). Note que a obediência e submissão ao direcionamento do Espírito Santo, resultou em grandes avanços da missão evangelizadora da Igreja. Todavia, este progresso para o Evangelho trouxe custos à integridade física e mental dos apóstolos que tiveram de enfrentar ameaças e apedrejamentos. O admirável dessa história é que o relato de Barnabé e Paulo não é de tristeza, mas de felicidade por haverem padecido em razão do Evangelho. Trata-se de um testemunho vivo da ação do Espírito Santo na vida de crentes que foram separados e entenderam o que significa viver em prol da causa de Cristo. Há recompensa gloriosa pelo esforço de levar o Evangelho (1Co 9.16,17).

 Lição 2: A porta da fé se abre entre os gentios

Data: 12 de julho de 2026

 

 

TEXTO ÁUREO

 

Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de salvação até aos confins da terra.(At 13.47).

 

VERDADE PRÁTICA

 

O propósito de Deus é que o Evangelho alcance todas as nações, revelando seu eterno desejo de salvar a todos.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — At 1.8

A missão aos gentios nasce da promessa do Espírito

 

 

Terça — At 11.26

Quem é formado em Cristo vive para anunciar Cristo

 

 

Quarta — At 11.20

A primeira porta que Deus usa para alcançar os gentios

 

 

Quinta — Is 49.6

Deus planejou que seu povo fosse luz para as nações

 

 

Sexta — Rm 1.16

O Evangelho é poder de Deus para todo o ser humano

 

 

Sábado — At 14.27

É Deus quem abre a porta da fé aos gentios

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Atos 13.44-52.

 

44 — E, no sábado seguinte, ajuntou-se quase toda a cidade a ouvir a palavra de Deus.

45 — Então, os judeus, vendo a multidão, encheram-se de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo dizia.

46 — Mas Paulo e Barnabé, usando de ousadia, disseram: Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, e vos não julgais dignos da vida eterna, eis que nos voltamos para os gentios.

47 — Porque o Senhor assim no-lo mandou: Eu te pus para luz dos gentios, para que sejas de salvação até aos confins da terra.

48 — E os gentios, ouvindo isto, alegraram-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna.

49 — E a palavra do Senhor se divulgava por toda aquela província.

50 — Mas os judeus incitaram algumas mulheres religiosas e honestas, e os principais da cidade, e levantaram perseguição contra Paulo e Barnabé, e os lançaram fora dos seus limites.

51 — Sacudindo, porém, contra eles o pó dos pés, partiram para Icônio.

52 — E os discípulos estavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

 

HINOS SUGERIDOS

 

65, 224 e 305 da Harpa Cristã.

 

PLANO DE AULA

 

1. INTRODUÇÃO

 

Nesta lição acompanhamos um dos momentos mais marcantes da história da Igreja: quando Deus abre, de forma clara e soberana, a porta da fé aos gentios. Ao seguir a primeira viagem missionária de Paulo e Barnabé, percebemos que o Evangelho avança mesmo em meio à oposição, à rejeição e às dores do ministério. Ensinar esse conteúdo é conduzir os alunos a compreenderem que a missão não depende da aceitação humana, mas da fidelidade ao chamado de Deus. A igreja que discerne o agir do Espírito aprende a perseverar, a confiar no poder do Evangelho e a celebrar cada porta que o Senhor abre para a salvação.

 

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição: I) Explicar ao aluno o avanço missionário entre os gentios de acordo com a Missão em Chipre; II) Revelar ao aluno o impacto do Evangelho em Antioquia da Pisídia; III) Fortalecer no aluno a fé que perseverou em Icônio, Listra e Derbe.

B) Motivação: Estudar a missão entre os gentios nos ajuda a compreender que o Evangelho ultrapassa fronteiras culturais, religiosas e geográficas. Ao acompanhar a ação do Espírito Santo em Atos, percebemos que a igreja de hoje é herdeira dessa missão e chamada a viver a fé com coragem, perseverança e compromisso com a salvação de vidas.

C) Sugestão de Método: Para iniciar a aula, o professor pode apresentar um breve percurso missionário, como se conduzisse a classe por uma “viagem” com Paulo e Barnabé. Comece localizando Chipre como a primeira porta aberta aos gentios, avance para Antioquia da Pisídia, onde o Evangelho ilumina corações e provoca decisões, e prossiga até Icônio, Listra e Derbe, destacando a perseverança da fé em meio à oposição. Use um mapa das viagens missionárias do apóstolo Paulo disponíveis em Atlas ou em Bíblias de Estudo. Esse movimento ajuda o aluno a perceber que a missão cristã é progressiva, enfrenta desafios distintos em cada contexto, e permanece firme porque é conduzida pelo Espírito Santo.

 

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Assim como a Igreja Primitiva respondeu ao chamado de Deus em diferentes cidades e contextos, somos desafiados a avaliar nossa disposição em obedecer ao Espírito Santo, hoje. A lição nos convida a perseverar na fé, anunciar o Evangelho com coragem e confiar que Deus continua abrindo portas, mesmo em meio às dificuldades.

 

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 106, p.37, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Luz que Alcança os Gentios”, localizado depois do segundo tópico, aprofunda a questão do alcance do Evangelho aos gentios a partir de um debate entre os judeus; 2) O texto “O Papel da fé na Tarefa”, localizado ao final do terceiro tópico, reflete sobre o papel da fé na missão da igreja cristã.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

A primeira viagem missionária do apóstolo Paulo está registrada em Atos 13 e 14. Logo após serem separados pelo Espírito Santo (At 13.2,3), Paulo e Barnabé, guiados pela direção divina, iniciaram a obra que o Senhor lhes confiara. A jornada durou cerca de dois anos, entre 46 e 48 d.C. Nesse período, acompanhados por João Marcos, partiram de Antioquia da Síria, seguiram para Chipre — terra natal de Barnabé — e avançaram pela Ásia Menor, anunciando o Evangelho em Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe. Toda a missão tinha um alvo claro: alcançar os gentios e revelar que o plano de Deus abraça todas as nações sob a luz de Cristo. Esse é o assunto que veremos nesta lição.

 

 

Palavra-Chave:

 

MISSÃO

 

 

I. A MISSÃO EM CHIPRE: A PRIMEIRA PORTA ABERTA ENTRE OS GENTIOS

 

1. O envio missionário e o avanço da Palavra. Conduzidos pelo Espírito Santo, Paulo e Barnabé partiram de Antioquia, desceram a Selêucia e navegaram rumo a Chipre — terra natal de Barnabé e já evangelizada por helenistas (At 11.19). Aportando em Salamina, anunciaram o Evangelho nas sinagogas, cumprindo o princípio missionário revelado por Paulo: “primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16). Acompanhados por João Marcos, seu cooperador (Cl 4.10), avançaram pela ilha até Pafos (At 13.6). Assim, a missão se expandia, demonstrando que proclamar a Palavra exige fidelidade (2Tm 3.16,17), reverência (Jr 23.28,29) e obediência sensível à direção do Espírito Santo (At 13.2).

2. O confronto com as trevas e a vitória do Evangelho (vv.6-8). Em Pafos, os missionários enfrentaram Barjesus, também chamado Elimas — um mágico e falso profeta (Dt 18.9-11; Gl 5.20,21). Ele resistia à pregação, tentando impedir que o procônsul Sérgio Paulo, homem prudente, ouvisse a Palavra de Deus. Cheio do Espírito Santo, Paulo o repreendeu com autoridade, declarando o juízo divino (v.11). A cegueira que o atingiu confirmou o poder do Evangelho e levou Sérgio Paulo a crer, maravilhado com a doutrina do Senhor. Onde a luz resplandece, as trevas recuam (Jo 1.5; Ef 6.12).

3. Confiando no poder transformador do Evangelho (vv.9-12). O encontro em Pafos revela que o Evangelho rompe barreiras sociais e espirituais. Paulo, cheio do Espírito Santo, confronta Elimas e testemunha a conversão de Sérgio Paulo, mostrando que a Palavra transforma mente, coração e vida (Rm 12.2; 2Co 5.17). O Evangelho ilumina o entendimento, renova o interior e produz frutos visíveis (Tg 2.14-26). Que também confiemos nesse poder, orando por quem resiste e anunciando com fé. A jornada agora avança para Antioquia da Pisídia, onde a missão alcançará novas proporções.

 

 

SINOPSE I

Em Chipre, o Espírito abre a primeira porta da missão gentílica.

 

 

II. A MISSÃO EM ANTIOQUIA DA PISÍDIA: O EVANGELHO QUE ILUMINA

 

1. A exposição apostólica que revela Cristo nas Escrituras (At 13.16-43). Levantando-se na sinagoga, Paulo dirige-se a judeus e gentios tementes a Deus e percorre a história de Israel para revelar que tudo aponta para Cristo. Recorda os juízes e Saul (Jz 2.16; 1Sm 31.13), apresenta Jesus como o descendente de Davi (Mt 1.1-17; Lc 3.23-38), afirma que João preparou seu caminho (Mt 3), que a cruz cumpriu as profecias (Is 53; Sl 22) e que a ressurreição foi confirmada por testemunhas e pelas Escrituras (1Co 15.1-23; Sl 2.7; 16.10). Proclama a justificação pela fé (Rm 4.13-21) e a salvação a quem crê (Jo 3.16,36). Seu discurso termina com um apelo solene para que os ouvintes não repitam o erro dos que rejeitaram o Messias. A repercussão é imediata: enquanto muitos judeus se retiram, os gentios rogam que Paulo retorne no sábado seguinte. E assim, “quase toda a cidade” se reúne para ouvir a Palavra (At 13.44), revelando uma abertura extraordinária ao Evangelho.

2. A rejeição dos judeus e a tristeza de Paulo diante da incredulidade (At 13.44,45). Fiel ao princípio de alcançar primeiro o judeu e depois o gentio (Rm 1.16), Paulo inicia sua pregação nas sinagogas. Contudo, em Antioquia da Pisídia, a inveja e a resistência dos judeus revelam a dor do apóstolo ao ver seu povo rejeitar o Evangelho (Rm 9.1-3). Diante dessa recusa, Paulo e Barnabé declaram: “Era mister que a vós se vos pregasse primeiro a palavra de Deus; mas, visto que a rejeitais, [...] eis que nos voltamos para os gentios” (At 13.46). Assim, dentro do propósito soberano de Deus, o Evangelho alcança as nações.

3. A porta da fé aberta aos gentios pela graça de Deus (At 13.46-49). Ao rejeitarem a mensagem, muitos judeus se tornaram “indignos da vida eterna”, não por um decreto arbitrário, mas pela resistência voluntária ao Evangelho. Assim, Paulo volta-se aos gentios, que recebem a Palavra com alegria e fé sincera. Cumpre-se, então, o propósito divino anunciado em Isaías: Israel seria luz para as nações (Is 49.6), e de Israel viria Cristo, a “luz para revelação aos gentios” (Lc 2.32 — NAA). O texto afirma que “creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna” (v.48). A melhor compreensão, conforme a Bíblia de Estudo Pentecostal, é: “todos os que estavam dispostos para a vida eterna”. Ou seja, todos os que responderam positivamente ao chamado do Espírito. A salvação é oferecida a todos (1Tm 2.4; Tt 2.11; 2Pe 3.9), mas acolhida apenas pelos que creem. Muitos gentios acolheram a Palavra e tornaram-se testemunhas vivas do poder transformador do Evangelho.

Ainda hoje, o Senhor abre portas onde menos esperamos. A missão avança quando a igreja responde com fé, discernimento e obediência. Assim como Antioquia da Pisídia se tornou o lugar de grande colheita, Deus deseja usar cada crente como portador da luz de Cristo. A obra, porém, não terminou ali. Agora, a jornada missionária se desloca para Icônio, Listra e Derbe, onde novos desafios e milagres revelarão novamente o poder do Evangelho por meio do Espírito Santo.

 

 

SINOPSE II

O Evangelho ilumina Antioquia da Pisídia e alcança os gentios.

 

AUXÍLIO DEVOCIONAL

 

 

LUZ QUE ALCANÇA OS GENTIOS

 

“A mensagem de Paulo aos judeus na sinagoga de Antioquia [da Pisídia] começou com uma ênfase na aliança de Deus com Israel. Este era um ponto de acordo, porque todos os judeus tinham orgulho de ser o povo escolhido de Deus. Então Paulo continuou a explicar como as Boas Novas representam o cumprimento da aliança. Mas, para alguns judeus, foi difícil aceitar esta mensagem. [...] Porque era necessário que as Boas Novas chegassem primeiro aos judeus? Deus planejou que por intermédio da nação judaica todo o mundo viesse a conhecê-lo (Gn 12.3). Paulo, um judeu, amava seu povo (Rm 9.1-5) e queria dar-lhe a oportunidade de unir-se a ele na proclamação da salvação de Deus. Infelizmente, muitos judeus não reconheceram a Jesus como o Messias e não entenderam que Deus oferecia a salvação a todos, judeus e gentios, que fossem a Ele por meio da fé em Cristo. Deus planejou que Israel fosse essa luz (Is 49.6). De Israel, nasceu Jesus, a Luz das nações (Lc 2.32). Esta Luz se expandiria e iluminaria os gentios” (Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal. Rio de Janeiro: CPAD, 2013, pp.1510,1511).

 

 

III. A MISSÃO EM ICÔNIO, LISTRA E DERBE: A FÉ QUE PERSEVERA

 

1. Icônio: o testemunho ousado que enfrenta oposição (At 14.1-7). Em Icônio, Paulo e Barnabé entraram na sinagoga e anunciaram o Evangelho com tal convicção que muitos judeus e gregos creram. O Senhor confirmava a Palavra com “sinais e prodígios” (v.3), dando testemunho da graça que operava por meio deles. Entretanto, a cidade dividiu-se, e uma conspiração surgiu para apedrejá-los. Obedientes à direção do Espírito, os missionários retiraram-se para Listra, não por medo, mas por prudência, preservando-se para continuar a missão (Mt 10.23). Onde a Palavra frutifica, a oposição também se levanta, mas o avanço do Evangelho não pode ser detido.

2. Listra: milagres, confusão religiosa e sofrimento por Cristo (At 14.8-20). Em Listra, Paulo cura um homem aleijado de nascimento, o que leva a multidão, confundida, a tentar adorá-los como deuses. Paulo e Barnabé rejeitam a idolatria e anunciam o Deus vivo, Criador de todas as coisas. Porém, judeus vindos de Antioquia e Icônio incitam o povo contra eles, e Paulo é apedrejado e deixado como morto. Mas o Senhor o restaura, e ele se levanta, retornando à cidade para reafirmar seu compromisso com o Evangelho. A fé bíblica não foge da dor: permanece firme porque está ancorada no Deus vivo.

3. Derbe: frutos que brotam da perseverança (At 14.20,21). Em Derbe, o Evangelho encontra terreno fértil. Muitos se convertem, e novos discípulos são formados. Mesmo após perseguições e sofrimento, Paulo e Barnabé continuam a pregar e edificam uma comunidade forte na fé. A obra missionária prossegue porque suas raízes não estão na comodidade, mas na fidelidade ao chamado de Cristo.

 

 

SINOPSE III

Em Icônio, Listra e Derbe, a fé persevera apesar da oposição.

 

AUXÍLIO TEOLÓGICO

 

 

O PAPEL DA FÉ NA TAREFA

 

“Deus ordenou que o cristianismo fosse uma religião de fé. Do ponto de vista objetivo, o cristianismo é uma religião de revelação sobrenatural. Do ponto de vista subjetivo, é uma religião de fé. A fé é o olho espiritual que observa Deus, que percebe Cristo como o Salvador e Senhor, que entende a Bíblia como a Palavra de Deus, que aceita a tarefa missionária como o propósito e a vontade de Deus, que descobre missões como o resultado natural da obra de Cristo, e que missões é um elemento inerente do chamado à salvação e submissão obediente às inclinações do Espírito Santo. Sem fé é impossível agradar a Deus; a fé é fundamental para toda a vida e todo empreendimento cristão. Não há uma obra espiritual verdadeiramente cristã que não seja também uma obra de fé. Embora o homem através da queda tenha se transformado de um ser que crê em um ser descrente, ainda assim, através da operação do Espírito Santo, pode voltar a ser crente. Pela fé, ele aceita a salvação oferecida em Cristo. Paulo nos diz que caminhamos pela fé e não pela visão. A vida cristã é, do início ao fim, uma vida de fé; assim como também é a tarefa missionária.” (PETERS, George W. Teologia Bíblica de Missões. Rio de Janeiro: CPAD, 2000, p.196)

 

 

CONCLUSÃO

 

Ao encerrar esse ciclo missionário, os apóstolos retornam às cidades onde haviam sofrido, fortalecendo os discípulos e estabelecendo presbíteros (At 14.22,23). Depois, apresentam à igreja de Antioquia o relatório do que Deus fizera, celebrando que “abrira aos gentios a porta da fé” (At 14.27). A missão continua porque a graça conduz, sustenta e abre caminhos onde parecia impossível.

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1. Por onde Paulo e Barnabé avançaram anunciando o Evangelho após partirem de Antioquia da Síria, para Chipre?

Avançaram pela Ásia Menor, em Antioquia da Pisídia, Icônio, Listra e Derbe.

 

2. O que o encontro em Pafos revela?

O encontro em Pafos revela que o Evangelho rompe barreiras sociais e espirituais.

 

3. O que Paulo e Barnabé declaram com a recusa dos judeus ao Evangelho?

“Era mister que nós se vos pregasse primeiro a Palavra de Deus.”

 

4. Por que os judeus se tornaram indignos da vida eterna, e o que se seguiu?

Ao rejeitarem a mensagem, muitos judeus se tornaram “indignos da vida eterna”, não por um decreto arbitrário, mas pela resistência voluntária ao Evangelho. Assim, Paulo volta-se aos gentios, que recebem a Palavra com alegria e fé sincera.

 

5. O que aconteceu quando os judeus vindos de Antioquia incitaram o povo contra Paulo e Barnabé?

Paulo é apedrejado e deixado como morto. Mas o Senhor o restaura, e ele se levanta, retornando à cidade para reafirmar seu compromisso com o Evangelho.

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

 

A PORTA DA FÉ SE ABRE ENTRE OS GENTIOS

 

O propósito de Deus para alcançar todas as nações contou com a colaboração de um servo escolhido especificamente para esta missão. O apóstolo Paulo foi posto pelo próprio Cristo como “luz para os gentios” (At 13.47) e, dessa forma, grande parte da evangelização do mundo antigo teve a participação deste valoroso homem de Deus. Em sua primeira viagem missionária, o apóstolo vivenciou manifestações gloriosas do poder divino, ao passo que o próprio apóstolo afirma que Deus “abrira aos gentios a porta da fé” (At 14.27). Um fato marcante durante o cumprimento da missão por Paulo e Barnabé é que o anúncio do Evangelho sempre foi seguido de embates contra as forças espirituais das trevas, bem como por perseguições. Contudo, a mão do Senhor conduzia, protegia e confirmava a atuação dos missionários (At 14.3,4). Esta é uma realidade que aqueles que dedicam suas vidas a anunciar o Evangelho da graça devem se acostumar. Não há nenhuma promessa de alívio. Antes, as perseguições atestam que a igreja está no rumo certo no que diz respeito a alcançar almas para a salvação. O Comentário do Novo Testamento — Aplicação Pessoal (CPAD), ressalta os episódios em Icônio: “A perseguição parece ter sido, em parte, a razão pela qual Paulo e Barnabé se detiveram em Icônio. Como já aconteceu em todos os lugares onde eles estiveram, Deus dava testemunho à palavra da sua graça, permitindo que por suas mãos se fizessem sinais e prodígios — provavelmente curando os doentes e expulsando demônios. No Livro de Atos, sinais e prodígios são essenciais para revelar a obra de salvação em Cristo e para proclamar o Evangelho, conferindo autenticidade à autoridade dos apóstolos. Ainda assim, houve um desacordo e dividiu-se a multidão da cidade. Alguns creram nos rumores e eram pelos judeus, ao passo que outros eram pelos apóstolos. Num motim, uma multidão de gentios e judeus decidiu atacar os apóstolos e apedrejá-los. Felizmente, os apóstolos fugiram. A oposição não interrompeu a sua mensagem. Paulo e Barnabé foram à região da Licaônia” (2009, Volume 1, p.687). Note que a obediência e submissão ao direcionamento do Espírito Santo, resultou em grandes avanços da missão evangelizadora da Igreja. Todavia, este progresso para o Evangelho trouxe custos à integridade física e mental dos apóstolos que tiveram de enfrentar ameaças e apedrejamentos. O admirável dessa história é que o relato de Barnabé e Paulo não é de tristeza, mas de felicidade por haverem padecido em razão do Evangelho. Trata-se de um testemunho vivo da ação do Espírito Santo na vida de crentes que foram separados e entenderam o que significa viver em prol da causa de Cristo. Há recompensa gloriosa pelo esforço de levar o Evangelho (1Co 9.16,17).

Comentário Bíblico da Lição 1 — O Chamado para os Gentios

 

Comentário Bíblico da Lição 1 — O Chamado para os Gentios

Introdução

A primeira lição deste trimestre nos conduz a um momento decisivo da história da Igreja. O livro de Atos mostra o cumprimento gradual da promessa de Cristo: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra” (At 1.8). A partir de Atos 13, a narrativa bíblica passa a enfatizar a expansão missionária para os povos gentios, demonstrando que o Evangelho não estava restrito à nação judaica, mas destinado a todas as nações, conforme o propósito eterno de Deus (Gn 12.3; Is 49.6).

A igreja de Antioquia surge como instrumento divinamente preparado para essa nova fase da obra missionária. Sua diversidade cultural, maturidade espiritual e submissão ao Espírito Santo tornaram-na um modelo para a Igreja de todos os tempos.


I. O Nascimento da Missão Gentílica

1. Antioquia: um centro escolhido por Deus

Antioquia da Síria ocupava posição estratégica no mundo romano. Era uma cidade cosmopolita, influente comercialmente e marcada pela diversidade étnica. Deus utilizou exatamente esse contexto para demonstrar que sua graça alcançaria todos os povos.

Foi em Antioquia que os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez (At 11.26), evidenciando uma identidade centrada em Cristo. A igreja local nasceu do trabalho evangelístico de cristãos dispersos pela perseguição que seguiu a morte de Estêvão (At 11.19-21).

A escolha de Antioquia revela um princípio importante: Deus frequentemente utiliza lugares e circunstâncias aparentemente improváveis para cumprir seus propósitos. Assim como escolheu Jerusalém para o início da Igreja, escolheu Antioquia para o avanço missionário mundial.

Aplicação: Deus continua usando igrejas comprometidas com sua Palavra para alcançar pessoas de diferentes culturas, classes sociais e nacionalidades.

2. Profetas e doutores servindo ao Senhor

Atos 13.1 apresenta uma liderança diversificada: Barnabé, Simeão, Lúcio, Manaém e Saulo. Essa pluralidade demonstra que o Evangelho já estava derrubando barreiras étnicas e sociais.

Os profetas recebiam revelações inspiradas pelo Espírito para edificação da igreja (Ef 4.11; 1Co 12.28), enquanto os mestres instruíam o povo na doutrina apostólica. A combinação entre espiritualidade e ensino sólido produzia uma igreja equilibrada.

Enquanto ministravam ao Senhor, jejuavam e oravam, o Espírito Santo falou. Isso ensina que a direção divina geralmente é concedida a uma igreja que cultiva comunhão, santidade e dependência de Deus.

Lição prática: O discernimento espiritual não nasce da pressa nem do ativismo, mas da intimidade com Deus.

3. A separação de Paulo e Barnabé

O Espírito Santo declarou: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2).

Observe que Deus já havia chamado esses homens anteriormente; a igreja apenas reconheceu e confirmou o chamado divino. A imposição de mãos não conferiu autoridade espiritual, mas simbolizou apoio, comunhão e envio missionário.

A atitude da igreja de Antioquia é admirável. Em vez de reter seus melhores líderes, ela os entregou ao propósito de Deus. Esse espírito de desprendimento demonstra maturidade espiritual.

Princípio bíblico: Uma igreja saudável não apenas recebe bênçãos; ela envia obreiros para abençoar o mundo.


II. O Espírito Santo e a Obra Missionária

1. O Espírito que conduz a missão

Em todo o livro de Atos, o Espírito Santo aparece como o grande dirigente da Igreja. Foi Ele quem capacitou os discípulos no Pentecostes (At 2.1-4), direcionou Filipe ao eunuco etíope (At 8.29), enviou Pedro à casa de Cornélio (At 10.19-20) e agora envia Paulo e Barnabé.

A missão não nasceu de um plano humano, mas do coração de Deus. Jesus declarou que o Espírito Santo guiaria os discípulos em toda a verdade (Jo 16.13).

A obra missionária só produz resultados duradouros quando é conduzida pelo Espírito Santo.

2. O poder do Espírito na evangelização dos gentios

O cumprimento de Atos 1.8 é visível ao longo da expansão da Igreja. O poder do Espírito não foi concedido para exaltação pessoal, mas para capacitação no testemunho cristão.

Os discípulos pregavam com ousadia (At 4.31), enfrentavam perseguições com alegria (At 5.41) e permaneciam firmes mesmo diante da morte, como Estêvão (At 7.55).

A evangelização dos gentios exigiu coragem para vencer preconceitos culturais e religiosos. O Espírito Santo capacitou os crentes a compreenderem que “Deus não faz acepção de pessoas” (At 10.34).

Aplicação: O mesmo Espírito continua capacitando a Igreja para anunciar Cristo em um mundo marcado por divisões, preconceitos e incredulidade.

3. Evidências da ação missionária do Espírito

As viagens missionárias registradas em Atos 13 e 14 evidenciam a intervenção divina.

Em Pafos, Paulo confronta Elimas, o mágico, e o procônsul Sérgio Paulo converte-se ao Evangelho (At 13.6-12). Esse episódio demonstra que nenhuma oposição espiritual pode impedir o avanço da obra de Deus.

Ao longo da viagem missionária, cidades são alcançadas, discípulos são formados e igrejas são estabelecidas. Mesmo enfrentando perseguições, prisões e rejeições, o Evangelho continua avançando.

O crescimento da Igreja não era resultado de estratégias humanas, mas da operação sobrenatural do Espírito Santo.


III. A Igreja como Agência Missionária

1. A Igreja que ouve a voz de Deus

A igreja de Antioquia é um exemplo de comunidade que buscava constantemente a direção divina.

Antes de agir, ela orava. Antes de enviar, ela jejuava. Antes de decidir, ela ouvia a voz de Deus.

Esse modelo continua atual. Muitas vezes as igrejas são tentadas a depender apenas de métodos e planejamentos, mas Atos ensina que a verdadeira eficácia ministerial nasce da dependência do Espírito Santo.

Lição espiritual: Igrejas fortes não são apenas organizadas; são espiritualmente sensíveis.

2. Uma igreja que envia e sustenta missionários

O envio de Paulo e Barnabé demonstra que a responsabilidade missionária pertence à igreja local.

Os missionários não atuam isoladamente; eles representam a comunidade que os envia. Por isso, oração, apoio financeiro, encorajamento e acompanhamento são partes essenciais da obra missionária.

O apóstolo Paulo posteriormente reconheceria diversas igrejas que participaram de seu ministério por meio de contribuições e intercessões (Fp 4.15-18).

Aplicação: Toda igreja deve considerar a obra missionária uma prioridade permanente.

3. Uma igreja que cumpre a Grande Comissão

A missão da Igreja permanece a mesma estabelecida por Jesus:

“Portanto ide, ensinai todas as nações” (Mt 28.19).

O chamado missionário não é opcional; faz parte da identidade da Igreja. Enquanto houver pessoas sem conhecer a Cristo, a missão continua.

Paulo destaca essa responsabilidade ao perguntar:

“Como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14).

A igreja de Antioquia compreendeu essa verdade e tornou-se um centro de expansão do Evangelho para o mundo conhecido.


Conclusão

A lição mostra que a missão aos gentios nasceu da direção soberana do Espírito Santo e da obediência de uma igreja comprometida com Deus. Antioquia nos ensina que uma igreja missionária é marcada pela oração, jejum, sensibilidade espiritual, disposição para enviar obreiros e compromisso com a evangelização.

O mesmo Espírito que chamou Paulo e Barnabé continua chamando sua Igreja hoje. O desafio permanece atual: ouvir a voz de Deus, obedecer ao seu chamado e participar ativamente da proclamação do Evangelho até os confins da Terra.

Texto para reflexão: “Porque assim nos mandou o Senhor: Eu te pus para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até aos confins da terra” (At 13.47).

 

Comentário Bíblico da Lição 1 — O Chamado para os Gentios

Introdução

A primeira lição deste trimestre nos conduz a um momento decisivo da história da Igreja. O livro de Atos mostra o cumprimento gradual da promessa de Cristo: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santo, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém como em toda a Judeia e Samaria, e até aos confins da terra” (At 1.8). A partir de Atos 13, a narrativa bíblica passa a enfatizar a expansão missionária para os povos gentios, demonstrando que o Evangelho não estava restrito à nação judaica, mas destinado a todas as nações, conforme o propósito eterno de Deus (Gn 12.3; Is 49.6).

A igreja de Antioquia surge como instrumento divinamente preparado para essa nova fase da obra missionária. Sua diversidade cultural, maturidade espiritual e submissão ao Espírito Santo tornaram-na um modelo para a Igreja de todos os tempos.


I. O Nascimento da Missão Gentílica

1. Antioquia: um centro escolhido por Deus

Antioquia da Síria ocupava posição estratégica no mundo romano. Era uma cidade cosmopolita, influente comercialmente e marcada pela diversidade étnica. Deus utilizou exatamente esse contexto para demonstrar que sua graça alcançaria todos os povos.

Foi em Antioquia que os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez (At 11.26), evidenciando uma identidade centrada em Cristo. A igreja local nasceu do trabalho evangelístico de cristãos dispersos pela perseguição que seguiu a morte de Estêvão (At 11.19-21).

A escolha de Antioquia revela um princípio importante: Deus frequentemente utiliza lugares e circunstâncias aparentemente improváveis para cumprir seus propósitos. Assim como escolheu Jerusalém para o início da Igreja, escolheu Antioquia para o avanço missionário mundial.

Aplicação: Deus continua usando igrejas comprometidas com sua Palavra para alcançar pessoas de diferentes culturas, classes sociais e nacionalidades.

2. Profetas e doutores servindo ao Senhor

Atos 13.1 apresenta uma liderança diversificada: Barnabé, Simeão, Lúcio, Manaém e Saulo. Essa pluralidade demonstra que o Evangelho já estava derrubando barreiras étnicas e sociais.

Os profetas recebiam revelações inspiradas pelo Espírito para edificação da igreja (Ef 4.11; 1Co 12.28), enquanto os mestres instruíam o povo na doutrina apostólica. A combinação entre espiritualidade e ensino sólido produzia uma igreja equilibrada.

Enquanto ministravam ao Senhor, jejuavam e oravam, o Espírito Santo falou. Isso ensina que a direção divina geralmente é concedida a uma igreja que cultiva comunhão, santidade e dependência de Deus.

Lição prática: O discernimento espiritual não nasce da pressa nem do ativismo, mas da intimidade com Deus.

3. A separação de Paulo e Barnabé

O Espírito Santo declarou: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado” (At 13.2).

Observe que Deus já havia chamado esses homens anteriormente; a igreja apenas reconheceu e confirmou o chamado divino. A imposição de mãos não conferiu autoridade espiritual, mas simbolizou apoio, comunhão e envio missionário.

A atitude da igreja de Antioquia é admirável. Em vez de reter seus melhores líderes, ela os entregou ao propósito de Deus. Esse espírito de desprendimento demonstra maturidade espiritual.

Princípio bíblico: Uma igreja saudável não apenas recebe bênçãos; ela envia obreiros para abençoar o mundo.


II. O Espírito Santo e a Obra Missionária

1. O Espírito que conduz a missão

Em todo o livro de Atos, o Espírito Santo aparece como o grande dirigente da Igreja. Foi Ele quem capacitou os discípulos no Pentecostes (At 2.1-4), direcionou Filipe ao eunuco etíope (At 8.29), enviou Pedro à casa de Cornélio (At 10.19-20) e agora envia Paulo e Barnabé.

A missão não nasceu de um plano humano, mas do coração de Deus. Jesus declarou que o Espírito Santo guiaria os discípulos em toda a verdade (Jo 16.13).

A obra missionária só produz resultados duradouros quando é conduzida pelo Espírito Santo.

2. O poder do Espírito na evangelização dos gentios

O cumprimento de Atos 1.8 é visível ao longo da expansão da Igreja. O poder do Espírito não foi concedido para exaltação pessoal, mas para capacitação no testemunho cristão.

Os discípulos pregavam com ousadia (At 4.31), enfrentavam perseguições com alegria (At 5.41) e permaneciam firmes mesmo diante da morte, como Estêvão (At 7.55).

A evangelização dos gentios exigiu coragem para vencer preconceitos culturais e religiosos. O Espírito Santo capacitou os crentes a compreenderem que “Deus não faz acepção de pessoas” (At 10.34).

Aplicação: O mesmo Espírito continua capacitando a Igreja para anunciar Cristo em um mundo marcado por divisões, preconceitos e incredulidade.

3. Evidências da ação missionária do Espírito

As viagens missionárias registradas em Atos 13 e 14 evidenciam a intervenção divina.

Em Pafos, Paulo confronta Elimas, o mágico, e o procônsul Sérgio Paulo converte-se ao Evangelho (At 13.6-12). Esse episódio demonstra que nenhuma oposição espiritual pode impedir o avanço da obra de Deus.

Ao longo da viagem missionária, cidades são alcançadas, discípulos são formados e igrejas são estabelecidas. Mesmo enfrentando perseguições, prisões e rejeições, o Evangelho continua avançando.

O crescimento da Igreja não era resultado de estratégias humanas, mas da operação sobrenatural do Espírito Santo.


III. A Igreja como Agência Missionária

1. A Igreja que ouve a voz de Deus

A igreja de Antioquia é um exemplo de comunidade que buscava constantemente a direção divina.

Antes de agir, ela orava. Antes de enviar, ela jejuava. Antes de decidir, ela ouvia a voz de Deus.

Esse modelo continua atual. Muitas vezes as igrejas são tentadas a depender apenas de métodos e planejamentos, mas Atos ensina que a verdadeira eficácia ministerial nasce da dependência do Espírito Santo.

Lição espiritual: Igrejas fortes não são apenas organizadas; são espiritualmente sensíveis.

2. Uma igreja que envia e sustenta missionários

O envio de Paulo e Barnabé demonstra que a responsabilidade missionária pertence à igreja local.

Os missionários não atuam isoladamente; eles representam a comunidade que os envia. Por isso, oração, apoio financeiro, encorajamento e acompanhamento são partes essenciais da obra missionária.

O apóstolo Paulo posteriormente reconheceria diversas igrejas que participaram de seu ministério por meio de contribuições e intercessões (Fp 4.15-18).

Aplicação: Toda igreja deve considerar a obra missionária uma prioridade permanente.

3. Uma igreja que cumpre a Grande Comissão

A missão da Igreja permanece a mesma estabelecida por Jesus:

“Portanto ide, ensinai todas as nações” (Mt 28.19).

O chamado missionário não é opcional; faz parte da identidade da Igreja. Enquanto houver pessoas sem conhecer a Cristo, a missão continua.

Paulo destaca essa responsabilidade ao perguntar:

“Como ouvirão, se não há quem pregue?” (Rm 10.14).

A igreja de Antioquia compreendeu essa verdade e tornou-se um centro de expansão do Evangelho para o mundo conhecido.


Conclusão

A lição mostra que a missão aos gentios nasceu da direção soberana do Espírito Santo e da obediência de uma igreja comprometida com Deus. Antioquia nos ensina que uma igreja missionária é marcada pela oração, jejum, sensibilidade espiritual, disposição para enviar obreiros e compromisso com a evangelização.

O mesmo Espírito que chamou Paulo e Barnabé continua chamando sua Igreja hoje. O desafio permanece atual: ouvir a voz de Deus, obedecer ao seu chamado e participar ativamente da proclamação do Evangelho até os confins da Terra.

Texto para reflexão: “Porque assim nos mandou o Senhor: Eu te pus para luz dos gentios, a fim de que sejas para salvação até aos confins da terra” (At 13.47).

Lição 1: O chamado para os gentios Data: 5 de julho de 2026

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

ADULTOS

 

 

3º Trimestre de 2026

 

Título: A Igreja dos Gentios — Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos

Comentarista: Wagner Gaby

 

 

Lição 1: O chamado para os gentios

Data: 5 de julho de 2026

 


 

TEXTO ÁUREO

 

E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.(At 13.2).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Quando a igreja ouve o Espírito, o Evangelho avança e vidas são alcançadas para a glória de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — At 1.8

Sem o Espírito Santo não há missão verdadeira

 

 

Terça — At 11.26

A identidade e a missão caminham juntas

 

 

Quarta — Mt 6.16-18

O jejum fortalece nossa sensibilidade espiritual

 

 

Quinta — Is 61.1

O ministério de Jesus começou pela unção do Espírito

 

 

Sexta — At 4.31

A Igreja Primitiva avançava porque estava cheia do Espírito

 

 

Sábado — Rm 10.14,15

Como ouvirão, se não há quem pregue?

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Atos 13.1-12.

 

1 — Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo.

2 — E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.

3 — Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.

4 — E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.

5 — E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e tinham também a João como cooperador.

6 — E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu, mágico, falso profeta, chamado Barjesus,

7 — o qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, varão prudente. Este, chamando a si Barnabé e Saulo, procurava muito ouvir a palavra de Deus.

8 — Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome), procurando apartar da fé o procônsul.

9 — Todavia, Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo e fixando os olhos nele, disse:

10 — Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?

11 — Eis aí, pois, agora, contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. No mesmo instante, a escuridão e as trevas caíram sobre ele, e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão.

12 — Então, o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor.

 

HINOS SUGERIDOS

 

24, 340 e 358 da Harpa Cristã.

 

PLANO DE AULA

 

1. INTRODUÇÃO

 

Neste trimestre, estudaremos A Igreja dos Gentios, acompanhando a expansão do Evangelho para além do contexto judaico e evidenciando a direção soberana do Espírito Santo na missão da Igreja. Nesta primeira lição — O Chamado para os Gentios — analisamos Atos 13 e o envio de Paulo e Barnabé a partir da igreja de Antioquia, destacando uma comunidade sensível à voz do Espírito. O comentarista é o Pr. Wagner Gaby, líder da Assembleia de Deus em Curitiba (PR), conferencista, advogado e escritor, autor de obras publicadas pela CPAD, como As Doenças do Século, Planejamento e Gestão Eclesiástica, Relações Públicas para Líderes Cristãos e As Parábolas de Jesus.

 

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição: I) Apresentar o contexto histórico e espiritual da igreja de Antioquia e sua missão aos gentios; II) Conduzir o aluno à reflexão sobre a atuação do Espírito Santo na condução da obra missionária e no envio dos obreiros; III) Aplicar os princípios da igreja de Antioquia à vida da igreja local, assumindo a missão cristã como identidade e compromisso.

B) Motivação: A missão da Igreja não nasce de estratégias humanas, mas do agir soberano do Espírito Santo. Ao estudar o chamado para os gentios, somos convidados a ouvir a voz de Deus, discernir seu propósito e compreender que também fazemos parte do plano divino de alcançar vidas e nações.

C) Sugestão de Método: Conduza a aula partindo de uma breve pergunta provocativa sobre o alcance do Evangelho, levando o aluno a refletir se a fé cristã se limita a um grupo específico, por exemplo: Se o Evangelho é para todos, por que a Igreja Primitiva precisou aprender isso ao longo do tempo? Em seguida, apresente a transição da igreja judaica para a missão gentílica em Atos, destacando a ação do Espírito Santo conforme a exposição dos três tópicos. Por fim, promova uma aplicação prática, mostrando que a igreja atual é herdeira dessa missão e chamada a viver o Evangelho sem barreiras culturais ou étnicas.

 

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Assim como a Igreja Primitiva ouviu a voz do Espírito e superou limites culturais para obedecer à missão, a igreja de hoje é chamada a examinar suas próprias barreiras — sociais, culturais — que podem dificultar o alcance do Evangelho. Viver como Igreja dos Gentios, significa que deve haver abertura para que o Espírito Santo conduza a missão para além de nossas preferências e zonas de conforto.

 

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 106, p.36, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Antioquia da Síria”, localizado depois do primeiro tópico, aprofunda as características da igreja que se voltaria aos gentios; 2) O texto “O Espírito Santo Inspira as Missões”, localizado ao final do segundo tópico, reflete a respeito da motivação missionária da Igreja.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Lucas registra o cumprimento progressivo da promessa de Jesus em Atos 1.8: o Evangelho alcançaria Jerusalém, Judeia, Samaria e chegaria aos confins da Terra. Os capítulos 13 a 28 marcam a grande virada da narrativa, quando o foco deixa de ser Jerusalém e passa a Antioquia. É dessa igreja, caracterizada por diversidade, sensibilidade espiritual e prática missionária madura, que o Espírito Santo convoca Paulo e Barnabé para a evangelização dos gentios. A partir desse ponto, o ministério de Paulo torna-se central, e o Espírito é mostrado como o verdadeiro condutor da expansão cristã. A Missão Gentílica nasce, portanto, não como estratégia humana, mas como resposta ao chamado direto do Espírito para alcançar as nações.

 

 

Palavra-Chave:

 

GENTIOS

 

 

I. O NASCIMENTO DA MISSÃO GENTÍLICA

 

1. Antioquia: um centro escolhido por Deus (v.1). Fundada por Seleuco Nicátor em 300 a.C., Antioquia da Síria tornou-se a terceira maior cidade do Império Romano, atrás apenas de Roma e Alexandria. Culturalmente greco-helenista, abrigava significativa população judaica e exercia forte influência intelectual e comercial, contando com o porto de Selêucia (At 13.4). Foi ali que os discípulos foram chamados “cristãos” pela primeira vez (At 11.26). Não por acaso, Deus escolheu Antioquia como base da missão gentílica, transformando aquela igreja em um centro de envio para as nações — uma verdadeira base missionária de envio às nações.

2. Profetas e doutores servindo ao Senhor (vv.1,2). A liderança local reunia profetas e doutores (mestres), ministérios que, após o período apostólico, tornaram-se pilares da edificação da igreja (1Co 12.28). Os profetas exortavam mediante inspiração direta; os mestres instruíam com base nas Escrituras e na tradição dos ensinos de Jesus. Durante o serviço ao Senhor, marcado por oração e jejum, o Espírito falou. A disposição desses líderes em buscar a vontade divina revela uma comunidade madura, centrada em Deus e apta a discernir o propósito do Espírito para além das necessidades locais.

3. A separação de Paulo e Barnabé (vv.2,3). O Espírito Santo ordenou: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”. A igreja respondeu com jejum, oração e imposição de mãos, reconhecendo o chamado divino e enviando seus melhores obreiros. Esse ato inaugura um novo momento da história cristã: a missão aos gentios é assumida oficialmente pela igreja. A obediência da congregação demonstra que a comunidade local é parte ativa da vocação missionária e que o envio deve ser sempre acompanhado de intercessão, consagração e dependência do Espírito.

 

 

SINOPSE I

Em Antioquia, o Espírito inaugura a missão cristã entre os gentios.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 

 

“ANTIOQUIA DA SÍRIA

 

A Antioquia da Síria foi um importante centro político, econômico e religioso durante o período romano. A população diversificada de Antioquia contribuiu para uma grande diversidade de religiões ligadas à cidade. O seu subúrbio de Dafne era um importante local de culto para o paganismo, e a cidade manteve grande população judaica ao longo da sua história. Além disso, foi para Antioquia que muitos cristãos de Jerusalém fugiram durante a perseguição inicial da igreja. Aqui, pela primeira vez, os cristãos judeus começaram a focar intencionalmente em compartilhar o evangelho para os gentios (At 11.19-21).

O resultado foi uma igreja grande, multicultural e vibrante. A igreja em Antioquia era conhecida pela sua diversidade étnica e cultural, a sua generosidade (enviou uma oferta a Jerusalém durante uma fome; veja 11.27-30) e o seu coração voltado para missões (serviu de sede para Paulo nas suas três viagens missionárias). Não surpreendentemente, foi em Antioquia que os seguidores de Cristo foram chamados pela primeira vez de ‘cristãos’ (11.26).” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.41).

 

 

II. O ESPÍRITO SANTO E A OBRA MISSIONÁRIA

 

1. O Espírito que conduz a missão. O Livro de Atos pode ser chamado, com justiça, de “Atos do Espírito Santo”. É Ele quem inspira, dirige, separa e envia os missionários. A missão não nasce da criatividade humana, mas da vontade soberana do Espírito. Sem o poder do Espírito, até os apóstolos permaneceram retraídos; com o Pentecostes, tornaram-se proclamadores ousados da fé. Assim, toda iniciativa evangelizadora autêntica é fruto da ação do Espírito no coração da igreja.

2. O poder do Espírito na evangelização dos gentios. Os discípulos viviam cheios do Espírito, e por isso evangelizavam com coragem, discernimento e alegria (At 4.31; 5.41; 7.55). O Batismo no Espírito Santo lhes deu poder para testemunhar de Cristo, e eficácia em sua mensagem (At 1.8). Essa unção não apenas fortaleceu a pregação, mas também conferiu autoridade espiritual para enfrentar resistências, realizar sinais e consolidar igrejas em diversos povos e regiões. A expansão registrada em Atos — de 120 discípulos a multidões — é resultado direto dessa obra sobrenatural.

3. Evidências da ação missionária do Espírito (At 13 — 14). As primeiras viagens missionárias mostram a clara intervenção do Espírito: portas se abrem, vidas são transformadas, e igrejas são plantadas apesar de perseguições. Em Pafos, o confronto entre Paulo e Elimas não é apenas um episódio de oposição, mas uma demonstração de que a luz do Evangelho prevalece sobre as trevas. A conversão do procônsul Sérgio Paulo revela que nenhum nível social está além do alcance de Deus. A missão avança porque o Espírito autentica a mensagem e confirma a autoridade dos enviados.

 

 

SINOPSE II

O Espírito Santo conduz e sustenta a expansão missionária da Igreja.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 

 

“O ESPÍRITO SANTO INSPIRA AS MISSÕES. Notemos a palavra ‘apartar’. A tendência natural das igrejas, naqueles dias como hoje, era estabelecerem-se como grupos firmados. Não prestavam a devida atenção à expansão missionária. A igreja em Jerusalém começou a se acomodar como grupo firme, centralizado naquela cidade. O Senhor, então, quebrou aquela organização e fez os pedaços se espalharem por toda a Palestina. Agora, de entre os ministros de Antioquia, retiram estes dois para uma missão especial.” (PEARLMAN, Myer. Atos: A Igreja Primitiva na Força e na Unção do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, pp.144,145)

 

 

III. A IGREJA COMO AGÊNCIA MISSIONÁRIA

 

1. A Igreja que ouve a voz de Deus. Antioquia serve de modelo para toda comunidade cristã: uma igreja que ora, jejua e discerne a direção divina. Uma igreja missionária cresce na comunhão e age por obediência. A obra missionária não é programação, mas identidade. Em Atos 13, vemos que o Espírito fala à igreja que se coloca diante de Deus com reverência e compromisso.

2. Uma igreja que envia e sustenta seus missionários. A imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé mostra que a igreja participa ativamente do envio. Não retém seus melhores servos, mas os consagra ao propósito eterno. Sustentar, interceder e acompanhar missionários é parte inseparável da vocação eclesial. Assim como Antioquia se tornou um centro de envio, cada igreja local é chamada a tornar-se base de operação para que o Evangelho alcance novos povos e culturas.

3. Uma igreja que cumpre a Grande Comissão. A ordem de Jesus permanece: ir, pregar, fazer discípulos e alcançar as nações (Mt 28.19,20). No mundo, ainda há povos que nunca ouviram o Evangelho. Como ouvirão, se não há quem pregue? (Rm 10.14). E como pregarão, se não forem enviados? (Rm 10.15). O Espírito continua chamando homens e mulheres para essa obra, e cabe à igreja atender ao chamado com prontidão, oração, recursos e disposição para ir.

 

 

SINOPSE III

A igreja responde ao chamado do Espírito enviando e sustentando os missionários.

 

 

CONCLUSÃO

 

A missão entre os gentios começa com oração, jejum e sensibilidade à voz do Espírito. A igreja de Antioquia mostra que Deus fala, chama, separa e envia; e que a igreja responde, intercede e sustenta. A Palavra de Deus é poderosa para transformar todo pecador em uma pessoa regenerada, alcançada pela graça. Hoje, o Espírito continua chamando sua igreja para alcançar as nações. Estamos dispostos a ouvir, obedecer e participar da missão que ainda está em andamento?

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1. Em qual cidade os discípulos foram chamados “cristãos” pela primeira vez?

Antioquia.

 

2. Quem ordenou para que separassem Saulo e Barnabé para as nações?

O Espírito Santo.

 

3. Por que os discípulos evangelizavam com coragem, discernimento e alegria?

Porque os discípulos viviam cheios do Espírito.

 

4. Quais evidências mostram a clara intervenção do Espírito nas primeiras viagens missionárias?

Portas se abrem, vidas são transformadas e igrejas são plantadas apesar de perseguições.

 

5. Por que Antioquia serve de modelo para toda a comunidade cristã?

Antioquia é uma igreja que ora, jejua e discerne a direção divina.

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

 

O CHAMADO PARA OS GENTIOS

 

Estimado(a) professor(a), a copiosa paz do Senhor esteja com você. Neste novo trimestre, teremos a grata e rica oportunidade de estudar sobre o chamado da igreja para proclamar a salvação entre os gentios, bem como da consolidação da mensagem evangelística entre as nações. Para discorrer sobre o tema, o comentarista deste trimestre é o pastor Wagner Gaby, líder da Assembleia de Deus em Curitiba.

A abordagem sobre a proclamação do Evangelho entre os gentios considera, inicialmente, o propósito divino desde o Antigo Testamento. Deus havia prometido, por intermédio dos profetas da Antiga Aliança, que a mensagem de salvação alcançaria outras nações para além de Israel (Is 49.6; Sl 22.27,28). Nesse sentido, o grande avivamento experimentado pelos cristãos em Antioquia, a partir da pregação aos gentios, é o cumprimento dessa promessa. Esta cidade foi escolhida pelo Espírito Santo haja vista ser um local que havia recebido profunda influência da cultura greco-helenista e abrigava forte presença judaica. Esses dois aspectos contribuíram para que a mensagem do Evangelho encontrasse guarida nos corações. A influência greco-helenista tornava a cidade como um berço do desenvolvimento intelectual da época, aberta às discussões filosóficas e oportunas à reflexão sobre a salvação. Semelhantemente, a presença judaica contribuía para que os missionários da igreja, enviados ao local, persuadissem os judeus à fé cristã a partir das profecias do Antigo Testamento.

O Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD) discorre que “Barnabé fortaleceu grandemente os laços de amizade entre as congregações de Antioquia e a igreja-mãe em Jerusalém (At 11.22-30), assegurou os serviços de Paulo a eles como ensinador (At 11.25,26) e em companhia de Paulo levou o dinheiro da oferta de ajuda para Jerusalém (At 11.27-30). Os discípulos receberam o nome de ‘cristãos’ pela primeira vez em Antioquia (At 11.26). Paulo foi enviado da igreja de Antioquia às suas três grandes missões: em Chipre, na Ásia Menor e na Grécia (At 13.1ss; 15.36; 18.23). [...] Na igreja antiga, Antioquia era famosa por causa de Inácio, o bispo e mártir (110 d.C.) cujas cartas ainda lemos; e por sua escola e grandes ensinadores, Crisóstomo (390 d.C.) e Teodoro de Mopsuestia (390 d.C.) que exortou a uma interpretação literal e histórica da Bíblia, contra as tendências de alegoria de Clemente e Orígenes de Alexandria no Egito” (2006, pp.142,143). O cenário era excelente para que a igreja de Antioquia se tornasse um braço forte na pregação do Evangelho em outras regiões.


fonte : CPAD

 

LIÇÕES BÍBLICAS CPAD

ADULTOS

 

 

3º Trimestre de 2026

 

Título: A Igreja dos Gentios — Da chamada missionária à consolidação do Evangelho entre os povos

Comentarista: Wagner Gaby

 

 

Lição 1: O chamado para os gentios

Data: 5 de julho de 2026

 


 

TEXTO ÁUREO

 

E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.(At 13.2).

 

VERDADE PRÁTICA

 

Quando a igreja ouve o Espírito, o Evangelho avança e vidas são alcançadas para a glória de Deus.

 

LEITURA DIÁRIA

 

Segunda — At 1.8

Sem o Espírito Santo não há missão verdadeira

 

 

Terça — At 11.26

A identidade e a missão caminham juntas

 

 

Quarta — Mt 6.16-18

O jejum fortalece nossa sensibilidade espiritual

 

 

Quinta — Is 61.1

O ministério de Jesus começou pela unção do Espírito

 

 

Sexta — At 4.31

A Igreja Primitiva avançava porque estava cheia do Espírito

 

 

Sábado — Rm 10.14,15

Como ouvirão, se não há quem pregue?

 

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

 

Atos 13.1-12.

 

1 — Na igreja que estava em Antioquia havia alguns profetas e doutores, a saber: Barnabé, e Simeão, chamado Níger, e Lúcio, cireneu, e Manaém, que fora criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo.

2 — E, servindo eles ao Senhor e jejuando, disse o Espírito Santo: Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado.

3 — Então, jejuando, e orando, e pondo sobre eles as mãos, os despediram.

4 — E assim estes, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e dali navegaram para Chipre.

5 — E, chegados a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus; e tinham também a João como cooperador.

6 — E, havendo atravessado a ilha até Pafos, acharam um certo judeu, mágico, falso profeta, chamado Barjesus,

7 — o qual estava com o procônsul Sérgio Paulo, varão prudente. Este, chamando a si Barnabé e Saulo, procurava muito ouvir a palavra de Deus.

8 — Mas resistia-lhes Elimas, o encantador (porque assim se interpreta o seu nome), procurando apartar da fé o procônsul.

9 — Todavia, Saulo, que também se chama Paulo, cheio do Espírito Santo e fixando os olhos nele, disse:

10 — Ó filho do diabo, cheio de todo o engano e de toda a malícia, inimigo de toda a justiça, não cessarás de perturbar os retos caminhos do Senhor?

11 — Eis aí, pois, agora, contra ti a mão do Senhor, e ficarás cego, sem ver o sol por algum tempo. No mesmo instante, a escuridão e as trevas caíram sobre ele, e, andando à roda, buscava a quem o guiasse pela mão.

12 — Então, o procônsul, vendo o que havia acontecido, creu, maravilhado da doutrina do Senhor.

 

HINOS SUGERIDOS

 

24, 340 e 358 da Harpa Cristã.

 

PLANO DE AULA

 

1. INTRODUÇÃO

 

Neste trimestre, estudaremos A Igreja dos Gentios, acompanhando a expansão do Evangelho para além do contexto judaico e evidenciando a direção soberana do Espírito Santo na missão da Igreja. Nesta primeira lição — O Chamado para os Gentios — analisamos Atos 13 e o envio de Paulo e Barnabé a partir da igreja de Antioquia, destacando uma comunidade sensível à voz do Espírito. O comentarista é o Pr. Wagner Gaby, líder da Assembleia de Deus em Curitiba (PR), conferencista, advogado e escritor, autor de obras publicadas pela CPAD, como As Doenças do Século, Planejamento e Gestão Eclesiástica, Relações Públicas para Líderes Cristãos e As Parábolas de Jesus.

 

2. APRESENTAÇÃO DA LIÇÃO

 

A) Objetivos da Lição: I) Apresentar o contexto histórico e espiritual da igreja de Antioquia e sua missão aos gentios; II) Conduzir o aluno à reflexão sobre a atuação do Espírito Santo na condução da obra missionária e no envio dos obreiros; III) Aplicar os princípios da igreja de Antioquia à vida da igreja local, assumindo a missão cristã como identidade e compromisso.

B) Motivação: A missão da Igreja não nasce de estratégias humanas, mas do agir soberano do Espírito Santo. Ao estudar o chamado para os gentios, somos convidados a ouvir a voz de Deus, discernir seu propósito e compreender que também fazemos parte do plano divino de alcançar vidas e nações.

C) Sugestão de Método: Conduza a aula partindo de uma breve pergunta provocativa sobre o alcance do Evangelho, levando o aluno a refletir se a fé cristã se limita a um grupo específico, por exemplo: Se o Evangelho é para todos, por que a Igreja Primitiva precisou aprender isso ao longo do tempo? Em seguida, apresente a transição da igreja judaica para a missão gentílica em Atos, destacando a ação do Espírito Santo conforme a exposição dos três tópicos. Por fim, promova uma aplicação prática, mostrando que a igreja atual é herdeira dessa missão e chamada a viver o Evangelho sem barreiras culturais ou étnicas.

 

3. CONCLUSÃO DA LIÇÃO

 

A) Aplicação: Assim como a Igreja Primitiva ouviu a voz do Espírito e superou limites culturais para obedecer à missão, a igreja de hoje é chamada a examinar suas próprias barreiras — sociais, culturais — que podem dificultar o alcance do Evangelho. Viver como Igreja dos Gentios, significa que deve haver abertura para que o Espírito Santo conduza a missão para além de nossas preferências e zonas de conforto.

 

4. SUBSÍDIO AO PROFESSOR

 

A) Revista Ensinador Cristão. Vale a pena conhecer essa revista que traz reportagens, artigos, entrevistas e subsídios de apoio à Lições Bíblicas Adultos. Na edição 106, p.36, você encontrará um subsídio especial para esta lição.

B) Auxílios Especiais: Ao final do tópico, você encontrará auxílios que darão suporte na preparação de sua aula: 1) O texto “Antioquia da Síria”, localizado depois do primeiro tópico, aprofunda as características da igreja que se voltaria aos gentios; 2) O texto “O Espírito Santo Inspira as Missões”, localizado ao final do segundo tópico, reflete a respeito da motivação missionária da Igreja.

 

COMENTÁRIO

 

INTRODUÇÃO

 

Lucas registra o cumprimento progressivo da promessa de Jesus em Atos 1.8: o Evangelho alcançaria Jerusalém, Judeia, Samaria e chegaria aos confins da Terra. Os capítulos 13 a 28 marcam a grande virada da narrativa, quando o foco deixa de ser Jerusalém e passa a Antioquia. É dessa igreja, caracterizada por diversidade, sensibilidade espiritual e prática missionária madura, que o Espírito Santo convoca Paulo e Barnabé para a evangelização dos gentios. A partir desse ponto, o ministério de Paulo torna-se central, e o Espírito é mostrado como o verdadeiro condutor da expansão cristã. A Missão Gentílica nasce, portanto, não como estratégia humana, mas como resposta ao chamado direto do Espírito para alcançar as nações.

 

 

Palavra-Chave:

 

GENTIOS

 

 

I. O NASCIMENTO DA MISSÃO GENTÍLICA

 

1. Antioquia: um centro escolhido por Deus (v.1). Fundada por Seleuco Nicátor em 300 a.C., Antioquia da Síria tornou-se a terceira maior cidade do Império Romano, atrás apenas de Roma e Alexandria. Culturalmente greco-helenista, abrigava significativa população judaica e exercia forte influência intelectual e comercial, contando com o porto de Selêucia (At 13.4). Foi ali que os discípulos foram chamados “cristãos” pela primeira vez (At 11.26). Não por acaso, Deus escolheu Antioquia como base da missão gentílica, transformando aquela igreja em um centro de envio para as nações — uma verdadeira base missionária de envio às nações.

2. Profetas e doutores servindo ao Senhor (vv.1,2). A liderança local reunia profetas e doutores (mestres), ministérios que, após o período apostólico, tornaram-se pilares da edificação da igreja (1Co 12.28). Os profetas exortavam mediante inspiração direta; os mestres instruíam com base nas Escrituras e na tradição dos ensinos de Jesus. Durante o serviço ao Senhor, marcado por oração e jejum, o Espírito falou. A disposição desses líderes em buscar a vontade divina revela uma comunidade madura, centrada em Deus e apta a discernir o propósito do Espírito para além das necessidades locais.

3. A separação de Paulo e Barnabé (vv.2,3). O Espírito Santo ordenou: “Apartai-me a Barnabé e a Saulo para a obra a que os tenho chamado”. A igreja respondeu com jejum, oração e imposição de mãos, reconhecendo o chamado divino e enviando seus melhores obreiros. Esse ato inaugura um novo momento da história cristã: a missão aos gentios é assumida oficialmente pela igreja. A obediência da congregação demonstra que a comunidade local é parte ativa da vocação missionária e que o envio deve ser sempre acompanhado de intercessão, consagração e dependência do Espírito.

 

 

SINOPSE I

Em Antioquia, o Espírito inaugura a missão cristã entre os gentios.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 

 

“ANTIOQUIA DA SÍRIA

 

A Antioquia da Síria foi um importante centro político, econômico e religioso durante o período romano. A população diversificada de Antioquia contribuiu para uma grande diversidade de religiões ligadas à cidade. O seu subúrbio de Dafne era um importante local de culto para o paganismo, e a cidade manteve grande população judaica ao longo da sua história. Além disso, foi para Antioquia que muitos cristãos de Jerusalém fugiram durante a perseguição inicial da igreja. Aqui, pela primeira vez, os cristãos judeus começaram a focar intencionalmente em compartilhar o evangelho para os gentios (At 11.19-21).

O resultado foi uma igreja grande, multicultural e vibrante. A igreja em Antioquia era conhecida pela sua diversidade étnica e cultural, a sua generosidade (enviou uma oferta a Jerusalém durante uma fome; veja 11.27-30) e o seu coração voltado para missões (serviu de sede para Paulo nas suas três viagens missionárias). Não surpreendentemente, foi em Antioquia que os seguidores de Cristo foram chamados pela primeira vez de ‘cristãos’ (11.26).” (Dicionário Bíblico Baker. Rio de Janeiro: CPAD, 2023, p.41).

 

 

II. O ESPÍRITO SANTO E A OBRA MISSIONÁRIA

 

1. O Espírito que conduz a missão. O Livro de Atos pode ser chamado, com justiça, de “Atos do Espírito Santo”. É Ele quem inspira, dirige, separa e envia os missionários. A missão não nasce da criatividade humana, mas da vontade soberana do Espírito. Sem o poder do Espírito, até os apóstolos permaneceram retraídos; com o Pentecostes, tornaram-se proclamadores ousados da fé. Assim, toda iniciativa evangelizadora autêntica é fruto da ação do Espírito no coração da igreja.

2. O poder do Espírito na evangelização dos gentios. Os discípulos viviam cheios do Espírito, e por isso evangelizavam com coragem, discernimento e alegria (At 4.31; 5.41; 7.55). O Batismo no Espírito Santo lhes deu poder para testemunhar de Cristo, e eficácia em sua mensagem (At 1.8). Essa unção não apenas fortaleceu a pregação, mas também conferiu autoridade espiritual para enfrentar resistências, realizar sinais e consolidar igrejas em diversos povos e regiões. A expansão registrada em Atos — de 120 discípulos a multidões — é resultado direto dessa obra sobrenatural.

3. Evidências da ação missionária do Espírito (At 13 — 14). As primeiras viagens missionárias mostram a clara intervenção do Espírito: portas se abrem, vidas são transformadas, e igrejas são plantadas apesar de perseguições. Em Pafos, o confronto entre Paulo e Elimas não é apenas um episódio de oposição, mas uma demonstração de que a luz do Evangelho prevalece sobre as trevas. A conversão do procônsul Sérgio Paulo revela que nenhum nível social está além do alcance de Deus. A missão avança porque o Espírito autentica a mensagem e confirma a autoridade dos enviados.

 

 

SINOPSE II

O Espírito Santo conduz e sustenta a expansão missionária da Igreja.

 

AUXÍLIO BIBLIOLÓGICO

 

 

“O ESPÍRITO SANTO INSPIRA AS MISSÕES. Notemos a palavra ‘apartar’. A tendência natural das igrejas, naqueles dias como hoje, era estabelecerem-se como grupos firmados. Não prestavam a devida atenção à expansão missionária. A igreja em Jerusalém começou a se acomodar como grupo firme, centralizado naquela cidade. O Senhor, então, quebrou aquela organização e fez os pedaços se espalharem por toda a Palestina. Agora, de entre os ministros de Antioquia, retiram estes dois para uma missão especial.” (PEARLMAN, Myer. Atos: A Igreja Primitiva na Força e na Unção do Espírito. Rio de Janeiro: CPAD, 2018, pp.144,145)

 

 

III. A IGREJA COMO AGÊNCIA MISSIONÁRIA

 

1. A Igreja que ouve a voz de Deus. Antioquia serve de modelo para toda comunidade cristã: uma igreja que ora, jejua e discerne a direção divina. Uma igreja missionária cresce na comunhão e age por obediência. A obra missionária não é programação, mas identidade. Em Atos 13, vemos que o Espírito fala à igreja que se coloca diante de Deus com reverência e compromisso.

2. Uma igreja que envia e sustenta seus missionários. A imposição de mãos sobre Paulo e Barnabé mostra que a igreja participa ativamente do envio. Não retém seus melhores servos, mas os consagra ao propósito eterno. Sustentar, interceder e acompanhar missionários é parte inseparável da vocação eclesial. Assim como Antioquia se tornou um centro de envio, cada igreja local é chamada a tornar-se base de operação para que o Evangelho alcance novos povos e culturas.

3. Uma igreja que cumpre a Grande Comissão. A ordem de Jesus permanece: ir, pregar, fazer discípulos e alcançar as nações (Mt 28.19,20). No mundo, ainda há povos que nunca ouviram o Evangelho. Como ouvirão, se não há quem pregue? (Rm 10.14). E como pregarão, se não forem enviados? (Rm 10.15). O Espírito continua chamando homens e mulheres para essa obra, e cabe à igreja atender ao chamado com prontidão, oração, recursos e disposição para ir.

 

 

SINOPSE III

A igreja responde ao chamado do Espírito enviando e sustentando os missionários.

 

 

CONCLUSÃO

 

A missão entre os gentios começa com oração, jejum e sensibilidade à voz do Espírito. A igreja de Antioquia mostra que Deus fala, chama, separa e envia; e que a igreja responde, intercede e sustenta. A Palavra de Deus é poderosa para transformar todo pecador em uma pessoa regenerada, alcançada pela graça. Hoje, o Espírito continua chamando sua igreja para alcançar as nações. Estamos dispostos a ouvir, obedecer e participar da missão que ainda está em andamento?

 

REVISANDO O CONTEÚDO

 

1. Em qual cidade os discípulos foram chamados “cristãos” pela primeira vez?

Antioquia.

 

2. Quem ordenou para que separassem Saulo e Barnabé para as nações?

O Espírito Santo.

 

3. Por que os discípulos evangelizavam com coragem, discernimento e alegria?

Porque os discípulos viviam cheios do Espírito.

 

4. Quais evidências mostram a clara intervenção do Espírito nas primeiras viagens missionárias?

Portas se abrem, vidas são transformadas e igrejas são plantadas apesar de perseguições.

 

5. Por que Antioquia serve de modelo para toda a comunidade cristã?

Antioquia é uma igreja que ora, jejua e discerne a direção divina.

 

SUBSÍDIOS ENSINADOR CRISTÃO

 

 

O CHAMADO PARA OS GENTIOS

 

Estimado(a) professor(a), a copiosa paz do Senhor esteja com você. Neste novo trimestre, teremos a grata e rica oportunidade de estudar sobre o chamado da igreja para proclamar a salvação entre os gentios, bem como da consolidação da mensagem evangelística entre as nações. Para discorrer sobre o tema, o comentarista deste trimestre é o pastor Wagner Gaby, líder da Assembleia de Deus em Curitiba.

A abordagem sobre a proclamação do Evangelho entre os gentios considera, inicialmente, o propósito divino desde o Antigo Testamento. Deus havia prometido, por intermédio dos profetas da Antiga Aliança, que a mensagem de salvação alcançaria outras nações para além de Israel (Is 49.6; Sl 22.27,28). Nesse sentido, o grande avivamento experimentado pelos cristãos em Antioquia, a partir da pregação aos gentios, é o cumprimento dessa promessa. Esta cidade foi escolhida pelo Espírito Santo haja vista ser um local que havia recebido profunda influência da cultura greco-helenista e abrigava forte presença judaica. Esses dois aspectos contribuíram para que a mensagem do Evangelho encontrasse guarida nos corações. A influência greco-helenista tornava a cidade como um berço do desenvolvimento intelectual da época, aberta às discussões filosóficas e oportunas à reflexão sobre a salvação. Semelhantemente, a presença judaica contribuía para que os missionários da igreja, enviados ao local, persuadissem os judeus à fé cristã a partir das profecias do Antigo Testamento.

O Dicionário Bíblico Wycliffe (CPAD) discorre que “Barnabé fortaleceu grandemente os laços de amizade entre as congregações de Antioquia e a igreja-mãe em Jerusalém (At 11.22-30), assegurou os serviços de Paulo a eles como ensinador (At 11.25,26) e em companhia de Paulo levou o dinheiro da oferta de ajuda para Jerusalém (At 11.27-30). Os discípulos receberam o nome de ‘cristãos’ pela primeira vez em Antioquia (At 11.26). Paulo foi enviado da igreja de Antioquia às suas três grandes missões: em Chipre, na Ásia Menor e na Grécia (At 13.1ss; 15.36; 18.23). [...] Na igreja antiga, Antioquia era famosa por causa de Inácio, o bispo e mártir (110 d.C.) cujas cartas ainda lemos; e por sua escola e grandes ensinadores, Crisóstomo (390 d.C.) e Teodoro de Mopsuestia (390 d.C.) que exortou a uma interpretação literal e histórica da Bíblia, contra as tendências de alegoria de Clemente e Orígenes de Alexandria no Egito” (2006, pp.142,143). O cenário era excelente para que a igreja de Antioquia se tornasse um braço forte na pregação do Evangelho em outras regiões.


fonte : CPAD

 
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